Depois de sete anos de muito trabalho, finalmente a Associação de Proteção ao Autista (APA) conseguiu a sua sede própria. A chácara onde a entidade irá se instalar e prestar atendimento a autistas está localizada na rua das Indústrias, 320, jardim Santa Rita (zona oeste). O local foialugado com verba mensal que a Prefeitura de Londrina repassará à APA a partir deste mês. A entrega oficial da sede da associação será na próxima sexta-feira, às 17 horas, pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida.
A APA é formada por pais de autistas e a intenção é transformar a sede em um ponto de referência para o tratamento das pessoas que apresentam a doença, informa a professora de ginástica Iriné Pereira Lima, presidente e fundadora da associação. O autismo é um fenômeno psíquico que provoca desligamento da realidade exterior.
Por enquanto, a APA tem apenas 12 membros. Mas Iriné acredita que, depois que o trabalho começar a ser desenvolvido no novo espaço, muitas outras pessoas vão procurar pelos serviços. Segundo ela, há mais autistas em Londrina do que os inscritos na APA. Na opinião dela, muitos pais não sabem que o filho é autista. As pessoas, por desinformação, tendem a tratar o autista como um deficiente mental.
A presidente da associação espera que o atendimento na sede da APA comece em fevereiro. Um mês antes, a diretoria da associação vai estar ocupada, tentando organizar o atendimento e procurando viabilizar recursos financeiros para manter o espaço.
Iriné lembra que a verba da Prefeitura (ela não quis revelar de quanto será a contribuição) dará apenas para pagar o aluguel da chácara e o salário do caseiro. O restante das despesas, como salário de monitores, alimentação, água e luz, a diretoria espera conseguir através de promoções, doações e ajuda de voluntários.
Segundo a presidente da APA, o custo mensal do atendimento a um autista é de oito salários mínimos (R$ 896,00). ‘‘Aí estão computados só os gastos básicos.’’
A idéia, segundo Iriné Lima, é criar um local onde os autistas possam permanecer durante todo o dia, sob o cuidado de monitoras e de uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, professor de Educação Física e um equoterapeuta (terapeuta que usa a equitação para ajudar no tratamento das pessoas afetadas pelo autismo).
A presidente da APA diz que conhece, no Paraná, apenas uma escola que atende a autistas. Ela está localizada em Curitiba e cobra mensalidade de R$ 3 mil. No Estado de São Paulo, Iriné cita uma escola que tem como modelo. É a Lumem, localizada em Presidente Prudente, mantida também por pais.
Iriné Lima prefere não citar quais os tipos de atendimento que a APA vai oferecer. ‘‘Nós vamos ter que descobrir com os autistas o que é preciso fazer’’. Mas a presidente garante que não vai faltar amor: ‘‘Vamos começar trabalhando a parte afetiva e a partir daí descobrir o que a criança pode oferecer’’. Ela avisa que as pessoas que pretendem trabalhar como monitoras na APA terão que cumprir principalmente um pré-requisito: ‘‘Ter amor e paciência’’.
Para desenvolver um bom trabalho afetivo, a chácara é fundamental, pelo contato com a natureza e com os animais, ressalta Iriné Lima. A sede tem piscina, cães, gatos, passarinho e dois cavalos, sendo que estes foram doados pela presidente da APA para equoterapia (técnica de terapia que usa cavalos). ‘‘Nós estamos pedindo agora que algum empresário da cidade doe para a associação material para construir duas baias para os cavalos e também uma pista de equitação’’.
Iriné Lima lembra que, em 1991, a APA ganhou da Prefeitura um terreno para construção de uma sede. Ela diz que a arquiteta Marisa Vezozo fez um ótimo projeto arquitetônico mas, como a entidade não conseguiu viabilizar recursos financeiros para a obra, acabou terminando o prazo que o município deu para a construção, e o terreno foi devolvido.
A presidente ressalta o agradecimento da entidade ao prefeito Luiz Eduardo Cheida - pela verba mensal -, e também ao médico Percy Antônio Galimberti, coordenador do Programa de Saúde Mental da Autarquia Municipal de Saúde de Londrina, pelo apoio à APA.
Quem quiser ajudar a Associação de Proteção ao Autista deve entrar em contato com Iriné Lima pelo fone (043) 325-5583.

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