Associação faz desafio ao autor
Esse rapaz está revoltado e fora da realidade. É o que diz o presidente da Associação das Farmácias do Paraná (Afarcompar), João Michael Junkert, 55 anos, sobre a publicação de Farmáfia. Segundo ele, as denúncias contidas no livro refletem um tempo ultrapassado.
Hoje, com a globalização, só estão sobrando os grandes laboratórios, a maioria multinacional, e as grandes redes de farmácias, afirma Junkert. A multinacional consegue oferecer o produto por preços idênticos à indústria nacional, o que está quebrando os pequenos laboratórios e as farmácias de nível familiar.
De acordo com dados da Abifarma (a associação dos fabricantes instalados no País), há atualmente 400 laboratórios no Brasil, que faturaram US$ 10,3 bilhões em 97. Mas apenas 16 desses laboratórios abocanharam 59% do faturamento total.
Pelo raciocínio de Junkert, grandes laboratórios não têm interesse de fabricar produtos ruins e grandes redes de farmácias, não se interessariam em vendê-los. Apesar de concordar que a bonificação é uma prática comum no mercado farmacêutico, o presidente da Afarcompar, não considera que isso favoreça a empurroterapia. Se compro com desconto, vendo mais barato, o que beneficia o consumidor.
Junkert afirmou também que desafia o autor do livro a apontar o laboratório que hoje produza e distribua medicamentos abortivos. Segundo ele, houve uma moralização das farmácias no Estado, devido à fiscalização eficiente da Vigilância Sanitária. O Paraná tem 3.300 farmácias, das quais 1.800 são filiadas à associação.
Verdades Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Paraná, José dos Passos Neto, 37 anos, no entanto, os fatos descritos no livro existem há muito tempo. Como falar para o balconista não vender (um medicamento ruim) se ele se beneficia disso?, questiona.
Na opinião de Passos Neto, a exigência de um farmacêutico nos estabelecimentos (estipulada pela lei federal 5.991/73) não é garantia de um trabalho ético na farmácia, porque, em muitos locais, o profissional é apenas uma figura decorativa, devido à pressão do dono da farmácia. Dos 21 mil farmacêuticos do Estado, apenas 5 mil são filiados à entidade. (Valmir Denardin)





