Associação diz que alertou sobre franquia
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terça-feira, 06 de março de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
O presidente da Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), vereador curitibano Rui Kiyoshi Hara (PFL), disse que, por enquanto, a entidade não vai intervir no caso dos brasileiros que acusam a Nipomed Franchising Ltda de estelionato. Segundo ele, a entidade soube do problema através dos meios de comunicação, mas até agora não recebeu qualquer reclamação formal.
Hara lembra que alertou familiares de dekasseguis para o risco de investir na Nipomed. Sabíamos que era uma empresa legalizada, mas de um porte bem menor do que o anunciado no Japão. Era uma aposta incerta que podia decepcionar os franqueados, acrescentou. A ABD existe há três anos em Curitiba e sua finalidade é ajudar os dekasseguis na readaptação ao Brasil. Criou uma empresa de orientação financeira para qualquer ramo da economia.
No Japão, os brasileiros sentem-se um pouco abandonados e fragilizados pela distância da família. De acordo com a jornalista Andréia Ferreira, que voltou há uma semana do Japão, as reclamações contra a Nipomed começaram a surgir no início de 99 e resultaram na dissolução da filial japonesa da empresa. No final do ano passado, quando o caso foi divulgado pela Rede Globo no Brasil, tentamos repercutir o assunto com a Nipomed e descobrimos que ela havia fechado sua sede no Japão, explicou Andréia.
Ainda segundo a jornalista, após as primeiras denúncias, o consulado brasileiro publicou um alerta aos dekasseguis em todos os jornais de língua portuguesa que circulavam no Japão, mas não soube de nenhuma medida prática em defesa dos brasileiros. Nessa época, a dona de casa Elisabeth Fudihara Chiba e seu marido haviam comprado uma franquia da Nipomed e já estavam no Brasil. Tivemos um pouco de receio de investir num ramo em que não tínhamos experiência, mas a proposta nos pareceu interessante, relatou. O casal aplicou cerca de R$ 50 mil na empresa que comercializa planos de saúde. Foi tudo o que juntamos nos últimos três anos de trabalho.
Durante um ano, eles conseguiram seis associados para a Nipomed e isso rendeu menos de R$ 1 mil. Hoje, o marido Ronaldo trabalha com telefonia e ela fica em casa com as duas filhas. Não tenho muitas esperanças. Prefiro não contar mais com esse dinheiro, confessou Elisabeth. No Japão, o casal ganhava aproximadamente R$ 14 mil por mês. Aqui, eles estão vivendo com um salário que não passa de R$ 700,00.
O gerente de franquia da empresa, Hélio Futochi Yuasa, reconhece as dificuldades dos dekasseguis. No entanto afirma que isso ocorre em regiões isoladas do Brasil. Sua sugestão é que os insatisfeitos procurem a empresa para resolver o problema.


