Associação dá curso para pilotos de recreio
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de dezembro de 2001
Jackeline Seglin<bR>De Londrina 
O presidente da Associação Brasileira de Ultraleve (Abul), major Gustavo Albrecht, do Rio de Janeiro, está em Ibiporã desde quinta-feira, ministrando um curso no Clube de Aviação Experimental do Paraná (Caep). O clube paranaense, fundado em 1991, é presidido por Ivan Piza e tem representantes da Associação.
Além das aulas teóricas e práticas para 10 pilotos de recreio (categoria criada em agosto que requer conhecimento específico do piloto para trafegar em espaço aéreo controlado), ele também aplicou uma prova de regulamento para 15 pilotos de ultraleve. Assim como em outros tipos de aparelhos aéreos, os vôos de ultraleve exigem que o piloto respeite as regras de vôo visual (1.500 pés de teto e cinco quilômetros de visibilidade) e tenha conhecimentos de teoria de vôo, meteorologia, navegação, regulamento e, claro, um mínimo de prática.
Autorizada pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) a realizar cursos e aplicar provas em todo o País, a Abul tem 2.800 associados no Brasil.
Presidente da Abul desde sua fundação, em 1987, Albrecht é uma das maiores autoridades em ultralevismo do Brasil. Experiência é uma das qualidades do currículo do major Gustavo Albrecht. Ele começou a voar em 1966, aos 17 anos, quando entrou para a Força Aérea Brasileira (FAB). Depois, passou pelo DAC, foi piloto de garimpo e comandante de Boeings em linhas aéreas. ''Até 1988 tinha cinco mil horas de vôo. Depois, perdi as contas'', conta. Hoje ele é major aposentado pela FAB, tem um escritório de assessoria aeronáutica, preside a Abul e ainda faz traslados de aviões dos Estados Unidos para o Brasil. O major foi campeão gaúcho de asa delta e pilotou um dos primeiros supersônicos brasileiros (F5), em 1975.
Aos 53 anos, o major coleciona nada menos que 12 acidentes nos mais variados tipos de aparelhos de asa delta a avião. ''O último foi há seis anos, na Flórida (EUA), quando o motor parou e meu avião caiu no mar'', lembra. Albrecht ficou uma hora e meia em alto mar e foi salvo por um barco de pescador. ''Estava sem colete, sem bote. Entreguei a Deus. Só pensei no meu neto (que tinha de seis meses na época) e na situação de sobreviver à queda do avião e morrer afogado. Depois dormi''. O major teve queimaduras por todo o corpo por causa do combustível espalhado na água.
O primeiro acidente do piloto foi com um avião Xavante da FAB, que se incendiou. ''Saí sem um arranhão. Em compensação, quando caí de asa delta quebrei o braço e até hoje tenho um ferro aqui'', diz mostrando o braço direito. O major tem ainda uma marca da fratura do crânio causada pela hélice do ultraleve que bateu em seu capacete.
E o medo de cair de novo? ''Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Nada acontece por acaso. Nunca penso nisso'', afirma. O piloto conta que, na hora do acidente, não existe a sensação de estar caindo. ''O que acontece é que a gente fica brigando com o avião, até cair. É muito rápido''. Após relatar sua experiência, o major Albrecht pede licença e entra no ultraleve Coiote para mais um vôo na manhã.


