Associação cristã cuida de crianças há 14 anos
A Associação de Cristianismo Decidido Assistência Social (Acridas) é uma experiência antiga - e que deu certo - de casas-lares em Curitiba. Há 14 anos, a associação cuida de crianças e adolescentes abandonados. Hoje, são 74, de dois a 20 anos, divididos em oito casas.
Cada família tem oito ou nove crianças, além dos filhos biológicos dos pais sociais. Na hora de escolher quem vai coordenadar cada casa, a Acridas se preocupa em ver se o casal está junto há bastante tempo e tem uma visão missionária.
Uma vez escolhido o casal, a determinação é que o pai trabalhe o dia inteiro e a mãe cuide das crianças. A mãe recebe uma quantia mensal, de acordo com o número de crianças que tem sob sua responsabilidade. O casal não paga aluguel, ajuda nas contas de água e luz, e tem um dia livre por semana.
Luciane Uller, 23 anos, é a mais nova mãe da Acridas. Ela assumiu uma família há dois meses. Luciane e o marido, Valmir, 28 anos, tinham dois filhos antes de entrar para o projeto. Hoje, têm 11. Sempre tive vontade de dar um pouco de mim para os outros. Conheci o trabalho da Acridas pela minha tia, que também cuida de uma família aqui.
Apesar da pouca idade e dos muitos filhos, Luciane diz que está dando conta do trabalho. Tem que aprender a dividir o carinho e o puxão de orelha, afirma. Muitas pessoas se espantam por eu ser tão nova e ter que cuidar de tantas crianças, mas acho que Deus capacita.
A diretora das casas-lares da Acridas, Gerlind Busch, diz que as crianças tratam os casais como pais de verdade. Usamos esse período com os pais sociais para investir o máximo em carinho, na possibilidade de estudo, e no aconchego familiar, que as crianças nunca puderam experimentar, diz Gerlind. Assim, terão capacidade para viver sob sua própria responsabilidade quando saírem daqui.
As crianças também vão à escola ou fazem atividades como informática, natação, coral ou cursos profissionalizantes. Dentro da instituição, existem algumas possibilidades: marcenaria, fábrica de bolachas e sala de costura e decoração.
Gerlind diz que poucas crianças e adolescentes que vão para a Acridas se reintegram à família. Hoje, apenas cinco pais estão visitando seus filhos com a possibilidade de levá-los para casa.
Quando saem das casas-lares, os adolescentes podem continuar sendo ajudados pela Acridas. A associação tem uma casa, que hoje está com quatro jovens. Para morar na casa, os jovens têm que trabalhar e pagar um pequeno aluguel. A maioria, porém, prefere seguir a vida por conta própria quando chega aos 18 anos.





