Edson GuittiFila de esperaRenal crônico faz diálise em clínica de Maringá; cidade terá central de transplantes‘‘Duzentos renais crônicos do Noroeste do Estado precisam fazer transplante de rim com urgência’’. O alerta foi feito ontem pelo presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados de Maringá e Região (Arctrans), Francisco Ribas. A Arctrans começou a funcionar oficialmente ontem e terá dois objetivos: cadastrar os pacientes na Central de Transplantes, em Curitiba, e conseguir medicamentos gratuitos do Sistema Único de Saúde (SUS) através da instalação de farmácia própria.
‘‘Precisamos dinamizar os transplantes de rim, principalmente este ano, quando Maringá será uma das cidades do Paraná a contar com uma regional da Central de Transplantes do governo do Estado’’, afirmou Ribas, 40 anos, comerciante. Ele recebeu um rim novo há um ano, no Hospital de Clínicas, em Curitiba.
Os 200 pacientes renais crônicos da região fazem hemodiálise três vezes por semana em três clínicas da cidade. O tratamento - limpeza do sangue que deveria ser feita pelo rim - é custeada pelo SUS. Todos esses pacientes precisam de transplante. ‘‘A partir de agora, eles serão cadastrados e entrarão na fila do transplante’’, disse Ribas.
A Arctrans está funcionando provisoriamente na Clínica do Rim, localizada na Rua Cidade de Leiria, número 538. ‘‘Esperamos funcionar nos mesmos moldes da associação criada em Curitiba para ajudar os pacientes’’, afirma ele.
Mesmo depois do transplante, o paciente é obrigado a tomar medicamentos, ‘‘que são muito caros e somente são encontrados nas farmácias centrais das cidades. As de bairro não possuem esses remédios’’, explica Ribas. O principal remédio é a Ciclosporina, que combate a rejeição do órgão implantado e custa R$ 500,00 a caixa, que dura um mês. Além deste remédio, o transplantado de rim deve tomar antidepressivos e corticóides específicos. Com a implantação da farmácia da Arctrans, os medicamentos serão distribuídos gratuitamente aos pacientes.
No Paraná, 2.500 pacientes renais crônicos necessitam do transplante; no país, são 25 mil. No ano passado, 190 pacientes do Paraná (12 de Maringá) tiveram seus rins transplantados.
Ribas não acredita na aplicação da lei que obriga os cidadãos a doarem seus órgãos, pois não existe estrutura hospitalar no país. ‘‘Seria uma medida muito moderna para um país muito pobre’’.

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