Associação Brasileira recebe várias denúncias
Curitiba - A Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) da Exploração Sexual fez diligências em Foz do Iguaçu entre os dias 2 e 4 de outubro de 2003. Os parlamentares encontraram adolescentes brasileiras que eram levadas ao Paraguai para exploração sexual através de uma rede de tráfico internacional. Cinco foram encontradas em prostíbulos do Paraguai. Segundo relatório da CPMI, havia conivência das autoridades municipais e policiais no aliciamento.
Os parlamentares informaram que as meninas não recebiam preservativos, eram obrigadas a beber com os clientes e mantidas em cárcere privado para pagar as dívidas com comida, casa e remédios. Uma adolescente foi resgatada e repatriada pelos deputados e senadores. Ela estava com sífilis em estágio avançado e não tinha documentação.
Na época, a CPMI orientou o governo federal a firmar um acordo de cooperação com os países da Tríplice Fronteira, para responsabilização dos criminosos.
Denúncias para a Associação - O presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento Social (ABDS), Joaquim Carlos, recebe várias denúncias sobre aliciamento de mulheres - principalmente para a Espanha. Algumas ligam pedindo ajuda. Muitas teriam conseguido fugir e estariam refugiadas no Texas, sem poder voltar por não terem passaporte.
''A gente sempre orienta as mulheres para que não sejam iludidas. Negras e mulatas são as preferidas pelos aliciadores. Trabalhamos em parcerias com outras ONGs e com a Polícia Federal'', diz.
Joaquim Carlos denuncia que grande parte das mulheres traficadas não consegue voltar. Acaba sendo assassinada ao tentar fugir. ''As mulheres mais bonitas vão para o exterior com um sonho. Pagam o preço pensando em sucesso. Muitas são mães solteiras e querem ser felizes, sonham em se casar com um europeu ou um americano'', disse ele. A maior parte dos casos relatados à ABDS envolve mulheres maiores de 18 anos ou emancipadas.
''As mulheres precisam saber quem as está levando, que vantagens obterão para terem seus custos pagos. Analisar com advogados o contrato para faxineira, baby sitter. Tem de registrar o contrato em cartório, para não cair em armadilhas. É preciso ainda deixar a viagem pública. Se algo acontecer, se faltar notícias, as autoridades saberão onde procurar'', orienta.(L.P.)





