Curitiba
Cerca de 15 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de reumatismo, segundo a Sociedade Paranaense de Reumatologia. A incidência da doença é tão preocupante que a entidade decidiu criar, ontem, o Dia de Luta Contra o Reumatismo.
A idéia é difundir os procedimentos para minimizar os efeitos da doença, geralmente associados a fortes dores, deformações ósseas e por fim incapacidade de certos movimentos. Dados do INSS apontam as doenças reumáticas como segunda causa mais frequente de afastamento do trabalho e terceira causa de aposentadoria no País.
Segundo o médico Sebastião Radominski, presidente da Sociedade Paranaense de Reumatologia, existem 108 tipos de reumatismo. Os mais comuns são a artrose, também chamada de ‘‘bico-de-papagaio’’ (desgaste na cartilagem das articulações, especialmente na coluna), a osteoporose (descalcificação dos ossos), a artrite reumatóide (inflamação nas juntas), a gota (excesso de ácido úrico), o reumatismo em músculos, tendões e cartilagens, e a febre reumática (causada por uma bactéria).
‘‘A prática de exercícios sem orientação, a má postura e o tipo de alimentação podem acelerar o reumatismo’’, destaca Radominski. ‘‘O mito de que reumatismo é uma ‘doença de velho’ faz com que muita gente não se preocupe com ela antes de ser tarde demais’’. O médico condena remédios ‘milagrosos’ como cartilagem de tubarão, que segundo ele não têm suas propriedades comprovadas cientificamente.
Entre as crianças, a incidência mais comum é da febre reumática, mal que atinge 3% das crianças entre cinco e 15 anos de idade que tiveram infecções de garganta provocadas pela bactéria Estreptococo beta hemolítico.
Prova de que reumatismo nada tem a ver com idade é a comerciante Reny Lopes, 36 anos. Acometida de dores nos ombros e braços, achou que isso poderia ser consequência de um acidente que havia sofrido. Tomou anti-inflamatórios, sem resultado. Descobriu que estava com bursite, um tipo de reumatismo que ataca as cartilagens dos ombros.
Para quem já avançou na idade, como o serralheiro José Rehme, 62 anos, o tratamento é mais difícil. Sentiu as primeiras dores reumáticas há 20 anos, por má postura, e desde então contorna o incômodo à custa de analgésicos, todas as noites. Sofrendo de artrose no cotovelo, faz infiltrações para minimizar a dor. ‘‘O reumatismo não tem cura, mas seus efeitos podem ser aliviados se o tratamento for precoce’’, afirma o reumatologista Radominski.

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