Associação ajuda dekasseguis com problema na volta ao País
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Curitiba 
Albari RosaCarlos e Teresa Akiyama: medo de perder o dinheiro ganho no JapãoO grande número de falências empresariais, perda da identidade cultural, distúrbios mentais e dificuldade de reintegração dos dekasseguis motivaram o surgimento da Associação de Apoio aos Dekasseguis, em Curitiba. Numa assembléia geral realizada ontem no Palácio Hyogo, foi eleita a primeira diretoria.
Os problemas que os trabalhadores brasileiros de ascendência japonesa que atuam no Japão trazem quando retornam ao Brasil são tão graves que chamaram a atenção de profissionais de diversas áreas. A idéia de criar a entidade surgiu há dois anos por iniciativa do vereador Rui Hara. A palavra dekassegui significa o trabalhador que alimenta o desejo de voltar à terra natal, mas estamos vendo que o sonho destas pessoas não está se realizando, pois elas têm tido dificuldade de reintegração, diz Hara.
Segundo o vereador, há inúmeros casos de insucesso de dekasseguis, que ao voltar ao Brasil acabaram perdendo todo o dinheiro nos negócios que montaram, e tiveram problemas psicológicos. Essas pessoas acabam retornando ao Japão, num processo constante de vai e vem, o que leva à perda de identidade cultural, afirma.
Dados do consulado do Japão em Curitiba mostram qua hoje existem em torno de 200 mil dekasseguis, que enviam US$ 2 bilhões por ano para o Brasil. Somente do Paraná, são cerca de 32 mil pessoas, que mandam anualmente US$ 500 milhões do Exterior. O fenômeno já existe há 12 anos e calcula-se que, nesse período, os dekasseguis tenham enviado mais de R$ 30 bilhões ao Brasil.
Além disso, como o trabalho exercido no Japão exige o limite da capacidade física, muitos dekasseguis acabam retornando com problemas psicológicos graves.
Trabalho duro - O casal Carlos e Teresa Akiyama viveu sete anos no Japão. Eles se conheceram lá e voltaram porque Teresa ficou grávida. A gente não queria ter o bebê no Japão. Mesmo sendo nisseis, nos consideramos em terra estranha o tempo todo que vivemos lá, conta Carlos.
No Japão, Carlos trabalhava 12 horas por dia, de segunda-feira a sábado, numa fábrica de vidros. Teresa trabalhava na linha de montagem da Sony. Assim que chegou a Curitiba, o casal comprou casa e carro novos. Agora o sonho é abrir um negócio, talvez uma loja de peixes ornamentais. Mas a gente ainda está pesquisando. Temos receio de perder o dinheiro que suamos tanto para ganhar, diz Carlos.


