Durante anos Zilda Aparecida Francisco da Silva, 46 anos, moradora do Jardim Santos Dumont (zona leste) sofreu sozinha o drama de ter uma filha com problemas mentais. Ana Cláudia, hoje com 20 anos, é portadora de uma psicose, como define a mãe.
As dificuldades para cuidar e ajudar a filha foram amenizadas quando há três anos Zilda passou a fazer parte da Associação Londrinense de Saúde Mental (ALSM) fundada na mesma época. Foi no intercâmbio de experiências pessoais que Zilda aprendeu a lidar com uma das faces mais cruéis da doença mental: o preconceito.
‘‘O doente mental sempre é alvo de preconceito, gozação ou medo. Isto dói muito para os familiares’’, diz. Segundo ela, muitas vezes as pessoas ficam impotentes diante destas situações. ‘‘Nos depoimentos de outras pessoas que passam ou passaram pelo mesmo drama, a gente sempre acaba escutando alguém que diz ter superado isto de uma forma ou de outra’’, diz.
A afetividade e o apoio emocional também são fundamentais, de acordo com a mãe de Ana Cláudia, para familiares de doentes mentais. ‘‘Quando se tem na família alguém com distúrbios mentais, a gente se sente muito isolada. Na associação acabei encontrando consolo e troca de experiências muito importantes’’.
Foi na associação que Zilda aprendeu também a reivindicar os direitos da filha. ‘‘Desde criança a minha filha foi privada de participar de uma escola normal e do convívio social’’, conta. Hoje Zilda sabe que sua filha tem o direito de estar integrada na sociedade e que precisam existir na saúde pública serviços específicos para tratar doentes mentais.
Durante três anos, Ana Cláudia fez tratamento no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) onde conseguiu uma grande evolução de comportamento. Devido a grande demanda o paciente tem alta do hospital-dia do Caps, normalmente em dois anos, e passa a receber o atendimento ambulatorial.
‘‘Londrina precisa ter mais destes serviços, existem muitas pessoas que necessitam’’, afirma Zilda. Segundo ela, sua filha regrediu bastante depois que recebeu alta, há sete meses. ‘‘Ela chegou a entrar em depressão’’, afirma.
Oferecer mais um espaço de convívio social é, justamente, uma das metas da ALSM.
Entre as metas estão também a criação de oficinas, grupos de família, leitura e criação literária, higiene e prevenção da saúde oral, artes cênicas, garantir os direitos civis do doente mental, entre outras. A presidente da associação, Adélia Fagoti Buranelli, explica que a ALSM é uma entidade civil, de natureza filantrópica, que tem como objetivo central ‘‘lutar por melhores condições de vida para as pessoas em sofrimento psíquico’’, resgatando a dignidade e a cidadania destas pessoas e tirando-as da exclusão histórica a que são submetidas através das internações. (E.P.)

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