Lino Ramos
De Londrina
A Associação dos Mototaxistas do Norte do Paraná acusa o Sindicato dos Taxistas de Londrina de promover uma campanha difamando a imagem dos condutores de motos que trabalham no transporte de passageiros. O serviço de mototáxi foi aprovado em Londrina pela lei municipal 8.052, sancionada pelo prefeito Antonio Belinati (PFL) e publicada no Jornal Oficial do município no dia seis de janeiro. De acordo com a associação, existem cerca de 1.100 mototaxistas em atividade e 500 são filiados à entidade.
O presidente da Associação, Vilson Primo Dalla Costa, registrou queixa na 10ª Subdivisão Policial alegando que o sindicato está distribuindo panfletos denegrindo a imagem da categoria. São reportagens de jornais sobre mototaxistas mortos em acidentes ou envolvidos com assaltantes e o tráfico de drogas.
Na opinião do vice-presidente da Associação dos Mototaxistas, Wilson Saraiva, existem mais de 350 taxistas em Londrina e apenas uma minoria está fazendo perseguição. ‘‘A gente sempre quis moralizar o serviço e não é um panfleto que vai denegrir nossa imagem’’, afirmou. Segundo ele, o material distribuído pelo Sindicato dos Taxistas também denigre a imagem do prefeito e da Câmara de Vereadores de Londrina, quando afirma que o Tribunal de Justiça proíbe o mototáxi no Paraná, mas o Legislativo aprovou e o Executivo sancionou a lei. Na avaliação de Saraiva, somente uma minoria dos mototaxistas está envolvida em crimes e a regularização do serviço deve acabar com esse problema.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina, Antonio Pereira da Silva, adiantou que o objetivo é distribuir cinco mil panfletos e colocar cerca de 10 ‘‘outdoors’’ em pontos estratégicos da cidade. ‘‘É um panfleto informativo sobre o tipo de serviço que estão regularizando. São matérias que foram publicadas no jornal e não sei por que estão nervosos. Não há difamação e só estamos informando o público’’, rebateu.
Antonio Pereira revelou que a idéia surgiu depois que mototaxistas passaram a apanhar passageiros nos estacionamentos do centro da cidade, mas que o sindicato não quer briga com mototaxistas. ‘‘É só tirar essas motos que ficam paradas em cima dos pontos que acaba a briga’’, resumiu.
Os diretores da Associação dos Mototaxistas também acusaram a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) de financiar a campanha dos taxistas, mas essa informação foi contestada pelo sindicato e pela direção da empresa. O gerente-geral da TCGL, Gildamo de Mendonça, disse que chegou a ligar no sindicato e uma pessoa chamada Ricardo, possivelmente um menor, teria confirmado a versão dos mototaxistas de que o material estava sendo enviado pela Grande Londrina. ‘‘Até hoje não fizemos nada contra. Nós contestamos o mototáxi, mas por via legal não conseguimos impedir esse serviço. Agora que está regulamentado, vou brigar com quem?’, garantiu Mendonça.
A Associação dos Mototaxistas pretende ingressar com uma ação criminal contra o Sindicato dos Taxistas, pedindo a reparação de danos contra a categoria.

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