O presidente da Associação dos Pescadores de Jataizinho, Júlio Francisco Daniel, disse que a unidade da Klabin, em Telemâco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), pode ser a principal responsável pela mortandade de peixes verificada ao longo do Rio Tibagi. Segundo ele, a empresa, uma das líderes do mercado brasileiro de celulose, estaria jogando resíduos industriais no Tibagi. ''Estive recentemente no porto de areia de Guaracazinho, bem perto da fábrica deles, e vi muitos peixes mortos no local. Tem muito pescador que também desconfia da Klabin. E o pior de tudo é que este problema vem de proliferando'', afirmou.
No local, o pescador disse que avistou diferentes tipos de peixes mortos, com suspeita de envenenamento ou contaminados pela poluição da água. ''Tinha curimba com falta de oxigênio, mandi atordoado e com a barriga estufada e barbado a mesma coisa.'' Outro pescador, José Antonio Vieira, de Jataizinho, acostumado a navegar por toda extensão do rio, também desconfia da empresa de celulose. ''Pra mim, é a Klabin que está matando estes peixes. É só entrar na água que você vê, tem todo tipo de peixe morto, mandi, piapara, cascudo'', relatou.
Para o presidente da associação, a tese da secretaria estadual de Meio-Ambiente, que relaciona a morte de cardumes ao uso de agrotóxicos em lavouras ribeirinhas, está equivocada. ''Não temos registro de plantações nas áreas onde vemos peixes mortos'', ponderou.
O coordenador de Meio Ambiente da Klabin, Júlio César Batista Nogueira, considerou absurda a acusação do grupo de pescadores. Segundo ele, a empresa faz o controle de emissão de efluentes, cerca de 70 mil metros cúbicos por dia, em uma estação de tratamento localizada dentro da fábrica, a 500 metros do rio. ''Na estação, controlamos o PH, a temperatura, tiramos os resíduos sólidos e eliminamos toda carga orgânica gerada no processo de produção do papel'', enumerou. Nogueira disse também que a eficiência do processo de tratamento é de 90%, suficiente para preservar o miniecossistema do alto Tibagi. ''Além disso, uma vez por semana recolhemos amostras da água do rio para monitorar a qualidade da água''. A Klabin tem o certificado de ISO 14001, que contempla os padrões universais de meio ambiente. G.G

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