São Paulo, 15 (AE) - Considerado o maior evento de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week (SPFW), reúne, é claro, coleções de marcas e estilistas famosos, como Ronaldo Fraga, Gloria Coelho e Walter Rodrigues. Os holofotes se voltam para eles, mas para garantir o brilho dos desfiles os astros dependem de um time que sua a camisa e não costura um ponto sem nó. Os assistentes são o braço direito dos criadores. E o esquerdo também.
A SPFW ocupa o prédio da Bienal, no Ibirapuera. É lá que criadores e assistentes mostram o que será moda no próximo inverno. Adriana Bozon, de 37 anos, estilista e diretora de criação da Ellus, já está acostumada a lidar com novos talentos - e aposta no potencial de jovens como Carolina Satie, 25 anos, sua ''menina dos olhos''. ''É muito importante tê-los por perto, pois trazem idéias frescas para o sucesso da grife. Hoje, algumas meninas, como Karlla Girotto e Giselle Nasser, que praticamente começaram na Ellus, estão desfilando suas próprias coleções na SPFW'', diz Adriana.
De assistentes, alguns se tornam estilistas. Outros podem até virar sócios dos patrões, como aconteceu com Gabi Bueloni, 33 anos, que nos anos 90 trabalhava como vendedora na loja de Marcelo Sommer, 40 anos. Agora, divide com ele a sociedade da marca.
Antes de pensar em trabalho-solo, Carolina aproveita as lições da fase de aprendiz. Ela trabalha na equipe de criação das peças femininas da Ellus, mas quando chega a temporada de desfiles se arrisca em outras áreas. ''Acho ótimo trabalhar em várias funções Assim, fico por dentro de todo o processo, desde a criação até a finalização da roupa'', diz. Ansiosa para ver as peças na passarela, a assistente acredita que seu esforço vale a pena.
Saber trabalhar em equipe é fundamental no ateliê da estilista Simone Nunes, 30 anos - ainda mais agora, que a criadora está no sexto mês de gestação. ''Tenho quatro assistentes que exercem funções distintas. Cada uma se responsabiliza por um setor e, caso eu não esteja, sei que as coisas vão andar naturalmente'', conta Simone. Segundo ela, ''o importante de trabalhar em equipe é que a responsabilidade se torna de todos, não fica concentrada em uma só pessoa''.
De vendedora a sócia
Vida de assistente não é só glamour, mas é possível colher bons frutos do trabalho pesado. Gabi Bueloni se define como assistente e curinga do criador Marcelo Sommer, responsável pela marca Do Estilista. ''Comecei em 1996 como vendedora. Depois, virei gerente, passei a dar suporte nos desfiles, pulei para a parte executiva e fui parar na criação. Agora, faço parte da sociedade e cuido da logística da empresa'', conta.
Durante os últimos anos, Sommer e Gabi passaram por diversos percalços, principalmente quando o estilista teve de vender a marca que levava o seu nome. Na hora de recomeçar seu trabalho, ele delegou mais funções para Gabi. ''Ela é o meu braço direito. Tudo o que eu pedir, tenho certeza de que será capaz de fazer. Depois de tanto tempo de convivência, nos tornamos muito amigos e apenas com uma troca de olhares já sabemos o que um está pensando do outro. Facilita muito o processo'', conta o criador.
O responsável pela coleção da marca V.Rom, Igor de Barros, 27 anos, e a estilista júnior Priscilla Campos, 26 anos, também são amigos e ingressaram na empresa na mesma época, há quase quatro anos. Apesar da afinidade com Priscilla e da confiança que deposita nela, Barros sabe demarcar os limites entre amizade e profissão. ''Somos amigos, sim, mas dentro do ateliê nossa relação é estritamente profissional.''. Barros, que já trabalhou como assistente do estilista Reinaldo Lourenço e também passou pela equipe criativa da Ellus, valoriza os assistentes. ''É essencial passar por esse cargo para captar todo o processo. Para mim, assistente bom é aquele que sabe se posicionar, que sabe a hora de palpitar e que consegue ser menos passional no momento de expressar alguma opinião.''

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