Na prática, um novo sistema de saúde para os servidores estaduais vem sendo tema de reuniões há quase dois anos, desde que o governo criou o Paraná Previdência - empresa privada gerenciadora do fundo de aposentadoria dos servidores estaduais - e iniciou o processo de extinção do IPE. Na época, o governo tentou montar uma segunda empresa, para gerenciar a saúde, criando um desconto de 2% dos salários. Esse esquema só funcionou por dois meses, já que uma alavanche de processos judiciais passou a questionar o desconto compulsório, considerado inconstitucional, fazendo o governo voltar atrás em sua proposta.
Dois anos depois, embora o IPE não exista mais oficialmente, parte de seus serviços continua funcionando precariamente. As áreas de odontologia, psicologia, fisioterapia e radiologia foram desativadas no início do ano passado. Com isso, equipamentos caríssimos dos consultórios odontológicos, máquinas de raio-x, ultra-sonografia e aparelhos para exames de cardiologia estão empilhados em salas do prédio. Setores considerados exemplares, como o Centro de Atendimento e Orientação Infantil (Caoi) foram extintos.
‘‘Isso aqui já funcionou bem melhor. Agora, eu já tive até que recorrer ao Conselho Regional de Medicina para ser atendida, porque minha médica estava de férias e ninguém mais queria me atender’’, afirmou Zulma Dalcol, 65 anos, aposentada da Secertaria de Segurança, que recebe R$ 532,00 e desconta R$ 53,00 para a Paraná Previdência.
A pensionista Maria Aparecida Pinheiro Bernardi, que ontem aguardava consultas para ela e seu filho, também reclamou. ‘‘Só a consulta é gratuita. Fui operada e tive que pagar 20% para a cirurgia, internamento e exames’’, disse. Segundo o responsável pelo o que sobrou do IPE, Rubens Drummond de Carvalho, só a parte de custo hospitalar é cobrado a parte, tendo o paciente que arcar com 20% pela parte de hotelaria. (M.G.)

mockup