Segundo o superintendente Francisco Eugênio de Souza, a grande diferença de um centro específico para tratamento de queimados está na formação específica dos profissionais e no atendimento especial destinado a esses casos. ''São pacientes com alto grau de infecção, que exigem até curativos sob anestesia, e acompanhamento o tempo todo'', explica.
Esse tratamento diferenciado, porém, pode ser determinante para a recuperação de um paciente, e inclusive salvar uma vida. Foi o caso de Ailton de Albuquerque Júlio, que, ao sofrer queimaduras de 2º e 3º graus em 62,5% de seu corpo em junho de 2002, precisou ser transferido para Ribeirão Preto. ''Em Curitiba não tinha vaga, e graças a Deus esse hospital me abriu as portas. Se não eu teria ido a óbito'', comenta.
Júlio foi vítima de um incêndio provocado por um vazamento em um botijão de gás em seu açougue na rua Santos, ocasião na qual o açougueiro Franklin da Cruz Gonzaga acabou falecendo. ''Para mim é uma alegria muito grande saber que agora temos um centro de tratamento de queimados aqui na cidade, que agora muitas famílias vão ter esse conforto de saber que seus entes queridos vão poder ser atendidos aqui mesmo'', afirma Júlio, acrescentando que hoje pretende ir às escolas orientar crianças sobre prevenção de acidentes.
Ele conta que passou por 20 cirurgias, ficou 350 dias internado e depois ainda precisou de tratamento fisioterápico. ''É uma dor tão grande que só quem passa por isso pode saber.'' Apesar de tanto sofrimento, Júlio se considera um homem abençoado por Deus. ''Foi preciso acontecer isso comigo e com outras pessoas para que os governantes despertassem para a necessidade de um centro de tratamento aqui em Londrina. Para que outras famílias não precisem chorar tanto quanto chorou a minha'', reconhece.
O comerciante ressalta que sempre foi religioso, e hoje agradece a Deus, de cabeça erguida, ''por estar vivo e ter uma vida normal''.''Eu carrego as marcas da misericórdia de Deus no meu corpo'', sentencia. Infelizmente, Adinalva Lima da Costa não teve a mesma sorte. Ela morreu na UTI do Hospital Universitário em outubro de 2005, à espera de uma vaga em algum centro especializado, com queimaduras em 70% do corpo. (A.I.)

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