A primeira frente fria do ano, que baixou os termômetros para a casa dos 3øC, revelou que a assistência social de Londrina está despreparada para atender todas as pessoas necessitadas. Dezenas de migrantes, desempregados, moradores de rua e até trabalhadores procuram os serviços de assistência em busca de comida e de um lugar para passar a noite.
O Albergue Noturno, a Casa do Bom Samaritano e o Serviço de Obras Sociais (SOS) não têm infra-estrutura e recursos para atender os carentes. As três entidades precisam de mais camas, colchões, roupas de cama, roupas de inverno (cobertores, acolchoados, lençóis) e alimentos. O Albergue e o SOS precisam, ainda, de reforma.
As entidades recebem verbas oficiais. Mas, segundo suas respectivas administrações, são suficientes apenas para custear as despesas básicas. Todas as entidades assistenciais necessitam de doações da comunidade.
‘‘O inverno ainda não chegou e já estamos atendendo para pouso a média de 80 pessoas por noite, quando nossa capacidade é para apenas 70’’, diz o coordenador geral da Casa do Bom Samaritano, Tirso Canella, acrescentando que aproximadamente 120 pessoas procuram a entidade diariamente para se alimentar. ‘‘Servimos cerca de 300 refeições por dia’’.
César AugustoCama e comidaAlbergados recebem refeição (topo da página) em uma das três entidades londrinenses que acolhem, à noite, migrantes, desempregados e pessoas que vivem nas ruas; acima, hora de dormir: poucas vagas disponíveisCanella afirma que a verba repassada pela prefeitura atende a menos da metade das necessidades da Casa do Bom Samaritano. ‘‘Cerca de 60% são obtidos através de contribuições da comunidade’’, destaca, reiterando pedido de doação, principalmente de roupas masculinas de inverno e de roupas de cama e alimentos não perecíveis, além de pão e leite. ‘‘O frio mais rigoroso ainda não chegou e a procura está assim. Imagine quando o inverno realmente chegar’’.
No Albergue Noturno as necessidades não são menores. De acordo com a vice-presidente, Maria Júlia Dutra Barros, a entidade dispõe de 95 leitos, sendo 55 da ala masculina e 40 da feminina. ‘‘Quando começar a Operação Noite Fria, no final de maio, as dificuldades aumentam’’, relata. Ela lembra que os recursos para manutenção do Albergue são repassados, em sua maior parte, pela comunidade. Mas, apesar da ajuda, são insuficientes para atender a todas as necessidades.
O prédio que abriga os albergados é antigo - completa 46 anos neste mês de maio - e precisa de reformas estrutural, hidráulica e elétrica. Júlia Barros estima que os reparos não sairão por menos de R$ 30 mil. Mas os voluntários do Albergue não sabem como fazê-los, já que o dinheiro mensal não cobre as despesas básicas com comida, roupas e remédios.
O Albergue planeja recorrer mais uma vez à solidariedade do londrinense para lançar no mês do seu aniversário uma campanha para arrecadar material e verba para as obras. ‘‘É preciso melhorar a estrutura para que o albergado se sinta bem’’, diz a vice-presidente.
No Serviço de Obras Sociais (SOS) a situação não é diferente. A entidade funciona desde abril de 1968, em um prédio de construção mista (madeira e alvenaria), na Vila Nova (área central). ‘‘Era uma escola japonesa. Procuramos preservá-la como um patrimônio histórico da cidade’’, destaca a diretora, Ilda Maria Hey, acrescentando que o prédio necessita de uma reforma.
A entidade dispõe de apenas 14 vagas para pouso, mas abriga 21 pessoas. Há internos e itinerantes. Entre 40 e 60 pessoas fazem refeições diariamente. E oferece, ainda, 80 vagas na creche. ‘‘O SOS é como coração de mãe. A gente não deixa ninguém para fora. Sempre damos um jeitinho de alojar todo mundo’’, ressalta Ilda.
Mas a diretora lembra que para continuar atendendo os necessitados é preciso que a sociedade também se sensibilize. ‘‘A comunidade tem dado muito apoio, que nunca é demais. Neste inverno vamos precisar de colchões, roupas de cama, cobertores e acolchoados, roupas de homem’’, pede Ilda. ‘‘E também gêneros da cesta básica e leite em pó. Não pode faltar leite para nossas crianças’’.

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