A possibilidade de enfrentar uma crise financeira ronda entidades assistenciais que possuem convênios de Educação Sócio Profissional e Inclusão Produtiva com a secretaria de Assistência Social de Londrina. Com metas de atendimento a cumprir, as instituições que não atingiram o volume previsto tiveram corte nos recursos referentes a outubro.
Segundo a secretária de Assistência Social, Jaqueline Micali, o ajuste é necessário para evitar problemas com o Tribunal de Contas (TC). As quatro entidades inscritas no convênio recebem R$ 20 mensais por pessoa contemplada pelo programa, com meta total de atender 3.214 pessoas por mês.
Até setembro, o repasse era integral. Depois, o pagamento passou a se basear nas metas efetivamente cumpridas. A secretária explicou que, como o valor per capita repassado é baixo, as metas eram aumentadas para balancear as contas.
''Essa prática é irregular. Defendi no Conselho de Assistência Social que o problema deve ser solucionado com o aumento na quantia repassada por atendimento'', afirmou. Ela acrescentou que ''entende'' a situação difícil das instituições, mas não pode abrir mão da correta prestação de contas.
Um dos atingidos pela adequação é o Clube das Mães Unidas, que oferece cursos de preparação para o trabalho na Zona Leste. De acordo com a tesoureira Ignez Vidotti, a entidade recebeu, no últimos dez anos, sem reajuste, R$ 6,2 mil para atendimento de 314 pessoas por mês. Com a adequação às metas, o valor caiu para R$ 4,3 mil. ''Com esse valor, não temos como contratar professores para oferecer os cursos e cumprir as metas.''
Ignez ressaltou que o serviço prestado é fundamental para a comunidade. ''Todas as costureiras que passam por aqui conseguem colocação imediata no mercado de trabalho. O mesmo acontece com os alunos do curso de padaria. O problema é que são cursos caros'', disse.
A secretária informou que, além da adequação nos repasses dos convênios, o pagamento dos psicólogos e assistentes sociais de instituições que contam com o trabalho desses profissionais passou a ser feito pelo Município. ''Até então o pagamento era feito com recursos federais, mas a cartilha do TC não autoriza essa prática.'' A mudança onerou o orçamento da pasta de Assistência Social em R$ 1,2 milhão anuais.

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