ASSISTÊNCIA - Ano termina com aumento da população de rua
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quinta-feira, 08 de dezembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

No fim do ano aumenta o número da população sem lar em Londrina. Motivadas pela esperança de conseguir um trabalho, mesmo que temporário, e uma melhor condição de vida, muitas pessoas saem de suas cidades em direção a um grande centro, mas sem ter parentes ou nenhum outro vínculo na cidade acabam indo parar nas ruas. Nesta época, o movimento nas instituições de acolhimento se intensifica, mas a procura por vagas é bem maior do que a capacidade de atendimento.
O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua Centro POP - vem registrando ao longo de todo este ano um aumento gradativo no número de pessoas sem-teto que procuram abrigo em instituições. No início do ano, o Centro POP recebia entre 200 e 250 pessoas ao mês. A partir de outubro, esse número subiu para cerca de 420 pessoas. E a expectativa é de crescimento entre 10% e 15% nos meses de dezembro e janeiro. "A gente tem visto esse aumento pela questão econômica do País, com o aumento do desemprego. Também tem o uso abusivo de substâncias psicoativas, que faz a pessoa perder o vínculo familiar e ir para a rua", disse a coordenadora técnica do Centro POP, Ruth Piveta. "Nas duas últimas semanas antes do Natal, com as saídas temporárias do sistema prisional, nós também recebemos presidiários."
A maioria das pessoas que chegam a Londrina são homens de 18 a 39 anos vindos de cidades menores da região ou do interior de São Paulo. "Londrina tem a imagem de uma cidade de oportunidades. Alguns vêm e vão embora, outros vêm para ficar até conseguir se estabelecer. Tem aqueles que são moradores de rua mesmo, mas também há os trecheiros, que vêm trabalhar por um tempo numa lavoura, passam algumas semanas ou até um mês e depois vão embora", destacou Ruth.
O Centro POP é a porta de entrada para moradores de rua que buscam vagas em uma das casas abrigo da cidade. No local, eles recebem atendimento social, psicológico e pedagógico, participam de grupos de terapia ocupacional e podem fazer um lanche e tomar banho. O espaço disponibiliza 30 banhos por dia. Mas não há serviço de pernoite. Do centro de referência, a pessoa em situação de rua é encaminhada a uma das instituições que oferecem acolhimento temporário ou por tempo mais prolongado, de três a quatro meses.
A central de vagas é gerenciada pela Associação Projeto Pão da Vida (APP), que mantém quatro unidades em Londrina, entre abrigos e casas de passagem, totalizando 86 vagas. Mas há outras entidades que também acolhem moradores de rua, como a Casa do Bom Samaritano. O problema é que são apenas 180 vagas no município, entre o público masculino e feminino.
Na Casa de Passagem Adulto Masculina (Cpam) mantida pela APP no Conjunto Maria Cecília (zona norte) a capacidade é para 20 pessoas e nesta quarta-feira (7), restavam apenas três vagas. Como o próprio nome diz, a unidade oferece abrigo temporário, por até duas semanas. "O objetivo da casa, se é um caso novo, de uma pessoa que vem de outro município, por exemplo, é tentar a reinserção social e evitar que essas pessoas entrem em acolhimento", explicou a coordenadora geral da APP, Fátima Reale Prado.
MULHERES
Grande parte das vagas existentes no município é destinada ao público masculino. Para as mulheres,a APP conta apenas com uma unidade com 20 vagas, todas ocupadas. "A gente tem 20 mulheres acolhidas e outras 40 estão na rua", disse Fátima.
Nas unidades de média complexidade, como o Centro POP e as casa de passagem, os funcionários trabalham para tentar restabelecer os vínculos familiares das pessoas que buscam atendimento. Já nas instituições de alta complexidade, como a Casa do Bom Samaritano e o Projeto Pão da Vida, a assistência é mais ampla, com auxílio na elaboração de currículos, oferta de cursos de capacitação e retomada dos estudos. Mas nada disso garante uma mudança de vida para os abrigados. "Alguns conseguem superar (a situação de rua), mas é um público muito fragilizado", diz Ruth.
A coordenadora da APP reconhece que há entre os assistidos pela Casa de Passagem um alto índice de retorno. São pessoas que passaram pelos serviços de alta complexidade, mas ao conseguirem um emprego ou por outros motivos deixaram o abrigo. Depois de um tempo, sem conseguir manter uma vida independente fora do acolhimento, decidem voltar à instituição. "Eles perdem a vaga no abrigo e voltam para a Casa de Passagem para aguardar uma vaga", explica Fátima.


