Josoé de CarvalhoNa base da chantagemOsmar Buzinhani, da Cativa, com Adalberto e Antenor Ribeiro: denúncias envolvem funcionários da CâmaraA Câmara Municipal de Londrina formou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias de tentativa de extorsão por parte de assessores de vereadores. A denúncia partiu da Confederação das Cooperativas Centrais Agropecuárias do Paraná (Confepar), que representava a Cativa, de Londrina, e a Central Norte, de Apucarana. Os assessores teriam pedido dinheiro para os diretores das duas cooperativas para que laudos sobre a qualidade do produto produzido por elas não chegassem ao conhecimento da imprensa.
O presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, esteve ontem à tarde na Câmara, acompanhado do gerente comercial da Cativa, Alfredo de Carvalho, e pediu providências ao presidente da Casa, Adalberto Pereira da Silva (PFL). Três pessoas foram denunciadas: Aristeu Neves Rodrigues, assessor do vereador Alvair Avelino de Souza (PL); José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB); e Fred Max Mota, que teria sido frequentador assíduo do gabinete do ex-vereador Jacy Aguiar.
O presidente da Confepar disse que a tentativa de extorsão partiu contra a Cativa e a Central Norte. O primeiro contato, segundo ele, foi feito no dia 13 de abril por Aristeu Rodrigues. Os assessores pediram R$ 30 mil à Cativa e R$ 50 mil à Central Norte para trocar o resultado do laudo do exame do leite feito pelo laboratório Adolfo Lutz, de São Paulo. ‘‘Eles disseram que o leite estava em péssimas condições e queriam negociar para que a informação não chegasse à imprensa.’’
Segundo Buzinhani, eles diziam representar ‘‘os vereadores’’ - Fred Mota teria se apresentado como assessor da Assembléia Legislativa. Um dos contatos com os diretores da Cativa e da Central Norte aconteceu em uma sala reservada da Câmara de Londrina, revelou o presidente da Confepar. ‘‘O que causou mais preocupação foi a maneira como a nossa empresa foi tratada. É uma empresa tradicional, que dá emprego, que comercializa um bom produto. Eu tenho certeza que a Cativa não deve nada para a população.’’
Buzinhani não chegou a pedir punição rigorosa para os envolvidos. ‘‘Queremos que a Câmara tome uma medida para que isso não volte mais a acontecer. Pedimos que as pessoas que trabalhem aqui tenham melhor qualificação.’’ Ele entregou à comissão uma fita contendo a gravação da conversa com os assessores.
O vereador Antenor Ribeiro (PPB), que preside a CEI, explicou que o pedido de análise do leite no Adolfo Lutz foi motivado por uma denúncia de má qualidade em algumas marcas de leite comercializadas na Cidade. A coleta do produto, no ano passado, foi acompanhada de promotores, nos pontos de venda, mas sem o conhecimento das empresas.
A comissão tem 30 dias para concluir as investigações. Os vereadores Antenor Ribeiro e Adalberto Pereira não descartam a possibilidade de envolvimento de outros funcionários da Câmara, já que o laudo chegou primeiro às mãos dos assessores. ‘‘Nós não sabemos se eles pegaram o resultado aqui na Câmara ou se foram até São Paulo buscar’’, disse Adalberto Pereira.
Antenor Ribeiro ainda não sabe qual será a punição dos acusados, se a denúncia for confirmada. Ele lembrou que Aristeu Rodrigues é servidor municipal cedido ao gabinete de Alvair de Souza pela Autarquia dos Serviços de Pavimentação de Londrina (Pavilon) e, neste caso, pode ser pedida a sua exoneração. Mas o vereador não descarta também o encaminhamento de um pedido de abertura de inquérito policial.
Alvair de Souza disse que ‘‘devolveu’’ seu assessor à prefeitura hoje, depois de tomar conhecimento da denúncia. ‘‘Ele me ajudou bastante. É um bom funcionário, mas infelizmente teve esse problema’’, disse. Beto Scaff também pretende afastar do cargo José Gavilan pelo menos até que tudo esteja esclarecido. Scaff integra a CEI e disse que não há problema em investigar o próprio assessor. ‘‘Eu não vou proteger ninguém. Quero apurar com firmeza. Só tenho interesse em defender um nome, que é o meu.’’ Jacy Aguiar disse que Mota nunca foi seu assessor. ‘‘É uma pessoa como tantas outras que frequentam os corredores da Câmara.’’
Quanto ao resultado do exame de qualidade do leite comercializado em Londrina - fato que motivou toda a confusão -, a comunidade terá que esperar mais um pouco para conhecê-lo. Agora, o presidente da Câmara não tem certeza se o laudo apresentado é confiável ou se foi manipulado. Antes de fazer qualquer divulgação, Adalberto Pereira quer entrar em contato com o Adolfo Lutz e pedir uma segunda via do documento.

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