Assessores são acusados de extorsão
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Adriana De Cunto 
Josoé de CarvalhoNa base da chantagemOsmar Buzinhani, da Cativa, com Adalberto e Antenor Ribeiro: denúncias envolvem funcionários da CâmaraA Câmara Municipal de Londrina formou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias de tentativa de extorsão por parte de assessores de vereadores. A denúncia partiu da Confederação das Cooperativas Centrais Agropecuárias do Paraná (Confepar), que representava a Cativa, de Londrina, e a Central Norte, de Apucarana. Os assessores teriam pedido dinheiro para os diretores das duas cooperativas para que laudos sobre a qualidade do produto produzido por elas não chegassem ao conhecimento da imprensa.
O presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, esteve ontem à tarde na Câmara, acompanhado do gerente comercial da Cativa, Alfredo de Carvalho, e pediu providências ao presidente da Casa, Adalberto Pereira da Silva (PFL). Três pessoas foram denunciadas: Aristeu Neves Rodrigues, assessor do vereador Alvair Avelino de Souza (PL); José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB); e Fred Max Mota, que teria sido frequentador assíduo do gabinete do ex-vereador Jacy Aguiar.
O presidente da Confepar disse que a tentativa de extorsão partiu contra a Cativa e a Central Norte. O primeiro contato, segundo ele, foi feito no dia 13 de abril por Aristeu Rodrigues. Os assessores pediram R$ 30 mil à Cativa e R$ 50 mil à Central Norte para trocar o resultado do laudo do exame do leite feito pelo laboratório Adolfo Lutz, de São Paulo. Eles disseram que o leite estava em péssimas condições e queriam negociar para que a informação não chegasse à imprensa.
Segundo Buzinhani, eles diziam representar os vereadores - Fred Mota teria se apresentado como assessor da Assembléia Legislativa. Um dos contatos com os diretores da Cativa e da Central Norte aconteceu em uma sala reservada da Câmara de Londrina, revelou o presidente da Confepar. O que causou mais preocupação foi a maneira como a nossa empresa foi tratada. É uma empresa tradicional, que dá emprego, que comercializa um bom produto. Eu tenho certeza que a Cativa não deve nada para a população.
Buzinhani não chegou a pedir punição rigorosa para os envolvidos. Queremos que a Câmara tome uma medida para que isso não volte mais a acontecer. Pedimos que as pessoas que trabalhem aqui tenham melhor qualificação. Ele entregou à comissão uma fita contendo a gravação da conversa com os assessores.
O vereador Antenor Ribeiro (PPB), que preside a CEI, explicou que o pedido de análise do leite no Adolfo Lutz foi motivado por uma denúncia de má qualidade em algumas marcas de leite comercializadas na Cidade. A coleta do produto, no ano passado, foi acompanhada de promotores, nos pontos de venda, mas sem o conhecimento das empresas.
A comissão tem 30 dias para concluir as investigações. Os vereadores Antenor Ribeiro e Adalberto Pereira não descartam a possibilidade de envolvimento de outros funcionários da Câmara, já que o laudo chegou primeiro às mãos dos assessores. Nós não sabemos se eles pegaram o resultado aqui na Câmara ou se foram até São Paulo buscar, disse Adalberto Pereira.
Antenor Ribeiro ainda não sabe qual será a punição dos acusados, se a denúncia for confirmada. Ele lembrou que Aristeu Rodrigues é servidor municipal cedido ao gabinete de Alvair de Souza pela Autarquia dos Serviços de Pavimentação de Londrina (Pavilon) e, neste caso, pode ser pedida a sua exoneração. Mas o vereador não descarta também o encaminhamento de um pedido de abertura de inquérito policial.
Alvair de Souza disse que devolveu seu assessor à prefeitura hoje, depois de tomar conhecimento da denúncia. Ele me ajudou bastante. É um bom funcionário, mas infelizmente teve esse problema, disse. Beto Scaff também pretende afastar do cargo José Gavilan pelo menos até que tudo esteja esclarecido. Scaff integra a CEI e disse que não há problema em investigar o próprio assessor. Eu não vou proteger ninguém. Quero apurar com firmeza. Só tenho interesse em defender um nome, que é o meu. Jacy Aguiar disse que Mota nunca foi seu assessor. É uma pessoa como tantas outras que frequentam os corredores da Câmara.
Quanto ao resultado do exame de qualidade do leite comercializado em Londrina - fato que motivou toda a confusão -, a comunidade terá que esperar mais um pouco para conhecê-lo. Agora, o presidente da Câmara não tem certeza se o laudo apresentado é confiável ou se foi manipulado. Antes de fazer qualquer divulgação, Adalberto Pereira quer entrar em contato com o Adolfo Lutz e pedir uma segunda via do documento.


