Assessores confirmam o favorecimento
O assessor jurídico da prefeitura de Roncador, Francisco Gonçalves Andreoli, que é irmão dos dois prefeitos, confirma os repasses das Autorizações para Internações Hospitalares (AIHs) ao hospital de Odilon Gonçalves e argumenta que o outro hospital da cidade, a Policlínica São Carlos, só tem um médico para atender três municípios. Não tem condições, alega. Jorge Fukushima, dono da policlínica, se defende e diz que diminuiu sua estrutura justamente por estar há mais de quatro anos sem AIHs.
Francisco Andreoli afirma que o hospital do seu irmão prefeito ficou quatro anos sem receber AIHs no período em que estava na oposição. Ele relata também que Odilon já fez propostas a Fukushima para que os dois hospitais da cidade se unam num só estabelecimento. Hoje o custo operacional está muito alto. Não dá para manter dois hospitais na cidade. Fukushima confirma a proposta, mas não aceita.
O secretário de Administração de Campina da Lagoa, Dalci Fornari, também confirma que o hospital Nossa Senhora das Graças só recebe 15 AIHs. O doutor Paulo (Gonçalves, o prefeito) está sendo bonzinho. Ele só recebia sete AIHs quando não era prefeito. Segundo Fornari, as autorizações para o hospital do prefeito só subiram para 38 quando ele entrou na Justiça. O advogado da família Gonçalves diz que o hospital de Roncador está em nome do prefeito de Campina da Lagoa, e vice-versa.
O chefe da 11ª Regional de Saúde de Campo Mourão, Joaquim Romildo Souza, informa que a distribuição das AIHs é decidida pelo Conselho Municipal de Saúde. Infelizmente, se o conselho decidiu assim, isso é legal, frisa. Mas Souza ressalta que não concorda com essa distribuição das internações. Não é democrático.
Ele afirma que o correto seria o conselho ouvir a comunidade na hora de definir a distribuição das AIHs. O chefe da Regional adverte, porém, que é comum os membros do conselho não decidirem contra a vontade do prefeito. Mas isso pode ser mudado através da população, afirma.
A Folha tentou ouvir ontem os dois irmãos prefeitos mas não conseguiu. Eles estavam em Curitiba e só devem retornar hoje às suas cidades.





