Assessor justifica critério utilizado nas pesquisas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Adriana De Cunto 
A próxima pesquisa da ONU sobre Desenvolvimento Humano, que deverá ser feita no início da próxima década, poderá ter resultado bem diferente daquele publicado recentemente pela organização. É que a pesquisa divulgada foi realizada com base em dados do último censo, de 91.
O assessor para o Desenvolvimento Humano Sustentável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, José Carlos Libanio, disse que a próxima pesquisa será atualizada com as informações do censo de 2000. Com certeza houve alteração nas cidades e elas serão flagradas na estatística do ano 2000, comenta.
Libanio concedeu entrevista à Folha ontem, por telefone, e disse que a pesquisa só foi concluída agora, sete anos depois que os dados foram coletados, porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados completos do censo no segundo semestre de 96.
O assessor lembra que é a primeira pesquisa feita ONU retratando a realidade de todos os municípios brasileiros. O censo do IBGE foi utilizado, segundo ele, porque é bastante extenso e complexo. É analisada desde a qualidade da casa, como por exemplo, o material de construção, até a taxa de mortalidade infantil.
Os técnicos da Fundação João Pinheiro, encarregados de fazer o trabalho proposto pela ONU, realizaram então uma garimpagem sofisticada das informações do IBGE, conforme o assessor.
Segundo José Carlos Libanio, o objetivo do trabalho é mostrar quais as cidades que deram mais oportunidade de desenvolvimento para o indivíduo e que deram capacidade para que eles melhorassem de vida. Em uma cidade com água potável e esgoto as pessoas ficam menos doentes, exemplifica.
Com a divulgação da pesquisa, a ONU também pretende democratizar as informações sobre os resultados das políticas e verbas destinadas a promoção do desenvolvimento humano. Libanio acredita que, com estes números nas mãos, a população poderá cobrar mais esforços dos seus governantes no sentido de direcionar as ações para promover uma melhoria na qualidade de vida.
Mas ele afirma que esta melhoria não depende apenas do poder público e que a iniciativa privada ou mesmo as organizações sociais têm realizado um importante trabalho. Libanio cita, como exemplo, as empresas que possuem cursos de alfabetização para os seus empregados ou mesmo a Pastoral da Criança, que realiza uma grande ação no combate à mortalidade infantil.


