Walter Ogama
De Londrina
A técnica de higiêne dental (THD) Cláudia Maria Nascimento Koike, que trabalha na Unidade Básica de Saúde do Conjunto Parigot de Souza (zona norte de Londrina), teve ontem o privilégio de poder reciclar seus conhecimentos monitorada por uma personalidade internacional da área de odontologia. O assessor de saúde oral da Organização Mundial de Saúde (OMS), o equatoriano Oswaldo Ruiz, deixou o Complexo Marista, onde está sendo realizado o 1º Congresso Mundial de Odontologia, para se deslocar a convite da Folha até a região dos Cinco Conjuntos.
Com ele foram até a unidade de saúde a representante cubana no evento Margarita Perez e a profissional londrinense Cristiana Castello Branco Nascimento. Já no posto de atendimento do Parigot, Ruiz e Margarita foram recebidos pela coordenadora Irene Gameiro e pela atendente Maria de Lourdes Silva Novaes, além da THD Cláudia. As figuras de personagens infantis pregadas nas paredes do consultório odontológico - a unidade atende bebês e gestantes - causaram a primeira surpresa do encontro. Margarita, que trabalha com crianças em Cuba, começou a cantarolar e a dançar. Depois pediu que providenciassem um gravador, para poder mostrar as canções que ela usa para desenvolver o seu trabalho.
A cubana coordena há cerca de cinco anos um programa que funciona como uma espécie de centro vocacional e ao mesmo tempo visa conscientizar escolares sobre a importância da higiêne dental. Nele, as crianças passam por diferentes etapas de aprendizagem, interpretando inclusive os papéis dos vários profissionais que trabalham na área de odontologia, inclusive o dentista. ‘‘A música é uma das formas de despertar o interesse das crianças para o tema’’, justificou Margarita.
Oswaldo Ruiz, enquanto isso, demonstrava interesse pelos procedimentos da unidade de saúde no relacionamento com os pacientes. Verificou fichas, analisou relatórios e com a percepção de um mestre direcionou conversa para onde a Organização Mundial de Saúde tem demonstrado grande interesse: o uso do ionômero de vidro - a princípio apenas um material restaurador que libera flúor - no trabalho preventivo de combate à cárie.
O assessor da OMS explicou para a técnica Cláudia e a dentista Cristiana que o ionômero pode substituir o selante, com a vantagem de dispor de flúor. A mensagem foi uma só: melhorar o trabalho preventivo e baratear o custo do serviço público com a diminuição da prática curativa. Uma experiência feita há três anos em Zimbábue, no sudeste da África, com 200 crianças, apresentou um resultado animador, segundo Ruiz. Das 200 crianças que tiveram o ionômero de vidro aplicados, apenas duas apresentaram cáries no período de três anos. ‘‘Ainda que o material (ionômero) não estivesse mais nos dentes, as crianças não sofriam com cáries devido ao efeito do flúor que o produto contém’’, explicou Ruiz. Depois que o esmalte do dente incorpora o flúor a proteção é mecânica (aplicação do material) e química (efeito do flúor)’’, acrescentou. Segundo ele, o selante convencional, principalmente quando mal aplicado, sai dos dentes e os deixa totalmente desprotegidos.
O uso do ionômero, ma avaliação do assessor da OMS, deve ser estimulado em instituições como asilos e creches ou até mesmo em comunidades onde o acesso ao dentista é difícil. ‘‘É uma técnica que a OMS preconiza para a realidade de quem não tem acesso à prevenção e ao tratamento dentário’’, enfatizou Ruiz para a técnica em higiêne dental Cláudia. O custo é baixíssimo, acrescentou, pois um trabalho comunitário com o ionômero dependeria de um dentista para detectar e curetar a cárie e um técnico para aplicar o material. Com uma espátula, luvas, algodão e papel para preparar o ionômero a pequena equipe pode desenvolver um trabalho de campo. Amanhã: Ruiz e Margarita visitam creche do União da Vitória.Oswaldo Ruiz, da Organização Mundial de Saúde, ensinou no Conjunto Parigot a forma de aplicação de material preconizado pelo órgão
Paulo WolfgangENSINAMENTOOswaldo Ruiz explica para a THD Cláudia Maria Koike (à esquerda) a técnica de preparação e aplicação do ionômero de vidroJosoé de CarvalhoEstandes demonstram aparelhos: um deles substitui a anestesiaPaulo WolfgangAtendente Maria de Lourdes, dentista Cristiana, Margarita e Ruiz

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