Tamarana é o município da região com maior número de assentamentos - oito no total. O mais antigo, Água da Prata, começou a se formar em 85 e os mais recentes nasceram no ano passado. São 3.182.651 hectares de terra que abrigam 263 famílias vindas de diversas cidades do Paraná.
O fato de o município ser conhecido pela grande concentração de sem-terra e assentamentos não prejudica Tamarana, segundo o prefeito Edison Siena. ‘‘Os assentamentos são benéficos porque geram riqueza’’, afirma. A economia do município gira basicamente em torno da agricultura. Apesar de não dispor de números, Siena diz que os assentamentos são responsáveis por 60% a 70% da produção.
Além disso, o prefeito observa que o comércio sai lucrando porque o dinheiro dos assentados é gasto na cidade. ‘‘A prefeitura lucra também com a geração de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS)’’, relata. Siena afirma que, em contrapartida, a prefeitura tem oferecido algumas benfeitorias, como melhoria das estradas e construção de cabines de telefone público.
O agricultor Norberto Afonso, que possui uma propriedade na localidade de Pariparó, também concorda com o prefeito. Na sua opinião, assentamentos geram riquezas que são gastos no município. Ele só não concorda com as ocupações. ‘‘Tem que ver o lado do fazendeiro também. Quando é um que está zelando pela propriedade, não tem cabimento a invasão’’, observa.
Sobre o fato dos sem-terra conseguirem recursos e subsídios que às vezes os pequenos produtores não obtêm junto aos governos federal e estadual, Afonso credita isso à soma de forças. ‘‘Os sem-terra são bastante unidos e eles conseguem muita coisa’’.
Morador de Tamarana há 18 anos, o comerciante Darci Campanini diz que há alguns anos ficava temeroso com as invasões de sem-terra. ‘‘Corriam boatos que eles iam invadir as mercearias também. Mas isso não aconteceu e nem acho que vai acontecer algum dia’’, afirma.
Contrário às invasões - ‘‘acho que o melhor caminho ainda é conversar’’, justifica -, o comerciante diz, no entanto, ser a favor dos assentamentos. ‘‘Quanto mais eles produzirem em Tamarana, melhor’’, resume. Ele conta que muitos moradores dos assentamentos fazem compras na sua mercearia. (L.O.)

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