Assentamento sob linhas de Furnas causa polêmica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de abril de 1997
Antonio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
O projeto do prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), de aproveitamento dos 700 mil metros quadrados da área sob os linhões de Furnas Centrais Elétricas - por onde passam os fios que conduzem a energia elétrica gerada pela usina de Itaipu - para assentamento de sem-teto e plantio de hortaliças, está causando polêmica na Câmara Municipal.
Os dois vereadores do PT questionam o projeto e apresentaram um estudo realizado pela equipe do cientista Denis Henshaw, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, que aponta que campos elétricos provocam câncer.
Conforme a prefeitura, inicialmente cerca de 120 famílias de sem-teto deverão ser assentadas nos terrenos embaixo dos linhões. Numa segunda etapa, mais 280 serão transferidas para o local, onde vão produzir verduras destinadas às creches e escolas municipais. Atualmente, a prefeitura consome cerca de 6 toneladas diárias de alimentos no abastecimento da rede de ensino e creches, que contam com 40 mil crianças.
Segundo o estudo realizado pela universidade britânica, os campos eletromagnéticos gerados por linhas de transmissão podem trazer graves doenças. Henshaw afirma que as linhas atraem partículas radioativas do radônio, um gás emitido pelo urânio e presente em quase todos os ambientes que, acredita-se, são um dos cancerígenos mais poderosos.
Os pesquisadores também afirmam que a alta tensão é capaz de atrair subprodutos radioativos do radônio presente no ar. Os campos eletromagnéticos associados a estas linhas podem concentrar um coquetel de agentes cancerígenos em potencial, dizem.
Assis Paulo Sepp, que além de vereador pelo PT de Foz do Iguaçu é sindicalista e operador de usina hidrelétrica na Itaipu, diz que se há dúvidas, o melhor é não colocar o projeto em prática.
Esta semana Sepp pediu detalhes sobre o levantamento da Universidade de Bristol e solicitou, ainda, estudos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre os impactos causados pela exposição a fios de alta tensão. Se houver riscos, nós vamos protocolar requerimento pedindo o engavetamento desse projeto. Uma dúvida não pode expôr quase 40 mil crianças de creches e escolas que vão consumir as hortaliças produzidas nessa área, disse.


