Assentados vivem em situação precária
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sábado, 18 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
Moradores do Jardim São Marcos, na zona sul de Londrina, sofrem com a falta de infra-estrutura básica. O nome de santo e o ''jardim'' dão a impressão de que é apenas mais um bairro da cidade, mas o local nada mais é que um assentamento, com água e luz, mas sem coleta de lixo, rede de esgoto, asfalto e transporte público. O maior problema é a falta de rede de esgoto, que corre a céu aberto, causando doenças como verminoses, hepatite, diarréias e alergias. Cerca de 190 famílias moram no local desde 1997.
As crianças, que normalmente brincam descalças pelas ruas, são as maiores vítimas de problemas de saúde. ''Não posso aceitar que minha menina, de dois anos e meio, fique doente por causa disso. Na semana passada, levei ela no posto e o médico diagnosticou virose, mas ficou apavorado quando soube das condições do lugar onde moramos'', disse Melquides Rodrigues Gomes, de 32 anos, desempregado. ''Meu filho de seis anos vive cheio de bolhas de alergia pelo corpo desde que mudamos para cá, há um ano'', afirmou a cozinheira Selda Figueiredo, de 35 anos.
De acordo com o gerente de Vigilância Sanitária de Londrina, Marcelo Viana de Castro, o acúmulo de lixo nas laterais do bairro também é fonte de preocupação, já que serve de local de procriação para moscas, ratos e baratas, vetores transmissores de doenças. ''Com relação ao esgoto, a única solução mesmo é a construção da rede, mas a questão do lixo pode ser resolvida com alguma medida alternativa, como a colocação de uma caçamba, para que, pelo menos, o lixo não fique exposto e seja recolhido de tempos em tempos'', explicou. Semana passada, quando a reportagem da Folha esteve no local, uma vaca comia restos de lixo num terreno baldio.
O presidente da associação de moradores, Marcos Aureliano Rodrigues, disse que cerca de 90% da população já deixou de pagar a mensalidade de R$ 10 para a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. ''A gente paga e não vê nenhum benefício'', disse. Rodrigues acredita que a ''solução'' vai ser a ligação clandestina à rede de esgoto. ''À noite ninguém aguenta o fedor, precisamos de alguma providência'', reclamou.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, informou que o rede de esgoto só pode ser feita em convênio entre o município e a Sanepar, mas que não há verba para isso. De acordo com o secretário de obras e vice-prefeito, Luís Carlos Bracarense, a localidade está incluída no projeto Habitar-BID, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para investimentos em infra-estrutura básica. ''Nossa parte já foi feita. Aguardamos liberação do dinheiro, cerca de R$ 3 milhões, para realizar projetos também em outros assentamentos da cidade'', disse.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, informou que existe um projeto para recolher o lixo em bairros periféricos de Londrina, com o uso de caçambas na entrada das localidades. ''O estudo deve ser concluído em 30 dias, mas não é possível afirmar que poderá ser viabilizado ainda este ano'', disse.


