Assentados reclamam de tarifa de energia
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quarta-feira, 02 de outubro de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
Moradores do assentamento Monte Cristo (Zona Leste) de Londrina estão indignados com o valor da conta de luz que pagam para Copel. Segundo o presidente da Associação de Desenvolvimento da Região Leste, João Kenedy de Oliveira, o acordo feito com a companhia, de que cada família não pagaria mais de R$ 12, não está sendo cumprido.
Há cerca de oito meses, quando a Copel instalou 43 postes da rede elétrica na Rua Limeira, Conjunto Santa Fé, próximo do assentamento, mais de 500 famílias, do assentamento foram beneficiados.
Como apenas existem 43 relógios, alguns dos moradores deram seus nomes e se responsabilizaram de receber a conta de luz para fazer a cobrança junto aos outros usuários. ''O problema é que, hoje, tem gente pagando quase R$ 30 '', disse Oliveira.
O aposentado Francisco Rodrigo da Silva, 76 anos, que mora sozinho em um barraco, não tem geladeira, televisão e nem chuveiro. Ele usa apenas duas lâmpadas para não ficar no escuro à noite. Este mês, ele conta que a fatura para pagar no rateio com outros moradores veio no valor de R$ 28.''Prefiro queimar vela o ano todo, do que pagar tudo isso sem ter nenhuma infra-estrutura'', disse. A assentada Claudete Maria Taranelli ganha por mês R$ 100 do programa Bolsa-Escola. Em casa, tem dois bicos de luz e paga, em média, R$ 25. ''Vou ter que tirar comida da boca dos meus filhos para pagar a conta de luz?'', questionou.
Segundo o engenheiro da Copel, Eduardo Oyama, quando a rede foi instalada, os assentados pagavam menos de R$ 5 mensal porque o consumo médio de cada família era de 30 quilowats/hora(KwH).''Hoje, o consumo já chega em torno de 152 KwH'', afirmou. Como o consumo era baixo, a Copel fez um acordo com os moradores de que cobraria a tarifa social, de R$ 2,93, permitida para consumo até 160KwH. A redução da taxa é de 60,3% se comparada a tarifa normal que é de R$ 7,38. Segundo Oyama, o maior problema, são os bares e alguns moradores que usam chuveiro ou geladeiras duplex antigas que consomem muito mais energia.
Revoltados com a situação, os moradores se reuniram ontem numa assembléia e decidiram que cada um vai pagar em juízo o valor de R$ 10. Procurado pela associação, o Procon orientou que a mesma formalizasse a reclamação para que o órgão intermediasse e tentasse uma negociação com a Copel. ''O que nós não queremos é que os moradores voltem a roubar energia, por isso, estamos tentando um acordo pagando o que achamos justo'', disse o presidente da associação.


