Assentados invadem área na Zona Norte
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Moradores do assentamento localizado no Jardim Professora Marieta (Zona Norte de Londrina) invadiram um terreno nas proximidades e pretendem começar a erguer seus barracos ainda hoje. Ontem à tarde, cerca de 40 pessoas estavam no local limpando a área.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Marieta, Ailton Natalino da Silva Souza, a invasão se deve principalmente pela falta de condições que as 78 famílias do assentamento estão se submetendo há anos. ''Estamos vivendo como bichos. Já mandei dois ofícios para a Secretaria de Obras pedindo asfalto e a poda do mato, mas até agora nada. Eles falaram que querem construir uma escola lá no meio daquele mato. Mas e quando eles vão cobrir as ruas? Aqui não temos acesso de ambulância, nem nada'', ressaltou Souza.
O assentamento do Jardim Marieta existe há cerca de seis anos. No local tem energia elétrica e água, mas não há asfalto. O mato alto não consegue esconder a grande quantidade de lixo e o entulhos que são acumulados pelos moradores, pois a coleta de lixo não chega até as casas. Segundo o vice-presidente da Associação de Moradores, Marcelo Marques Santos, escorpiões, aranhas e ratos vivem no meio das crianças, que se arriscam brincando em volta das valetas abertas.
''A água suja que sai das casas passa por nós, tivemos que fazer uma canaleta pra escoar. Os cavalos têm carrapatos enormes, bicho-de-pé então, é super comum. É tudo muito difícil lá, a ambulância não chega até nós, então resolvemos vir para esse terreno. Já estamos medindo os lotes, cortando o mato e até amanhã já teremos barracos aqui'', comenta. O terreno invadido fica na Rua José Martins Pereira.
A moradora do assentamento, Rosangela Caetano Delfino, disse que teve sua filha Yasmin sozinha dentro de casa por falta de atendimento médico. ''Foi no ano passado. Ligamos pra ambulância do orelhão, mas ela demorou mais de uma hora pra chegar. Quando chegou, minha filha já tinha nascido e eu tive que subir com ela no colo porque a ambulância não desceu até minha casa'', comentou Rosangela.
Segundo informações da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, o terreno ocupado pelos moradores é particular e por isso a companhia estará comunicando o proprietário. Sobre as condições do assentamento e os pedidos de melhores condições do local feito pelos moradores, a assessoria de imprensa da prefeitura confirmou que ruas do bairro começaram a ser pavimentadas, mas a empresa que prestava o serviço à prefeitura faliu. Ainda segundo a assessoria, a prefeitura está avaliando as condições e medidas para serem tomadas em relação à regularização da área do assentamento.


