Jean PaternoRevoltaDesde o final da tarde de segunda-feira os manifestantes impedem o funcionamento da agênciaAproximadamente 150 agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acamparam em frente à agência do Banco do Brasil em Catanduvas (37 km a leste de Cascavel), no final da tarde de segunda-feira, impedindo o funcionamento do banco. Eles exigem a liberação de recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), solicitados há cerca de um ano, e sobre os quais ainda não obtiveram resposta. O dinheiro é para custear as atividades agrícolas.
Os manifestantes tentaram invadir a agência, mas a movimentação foi descoberta antes que isso acontecesse. Os funcionários fecharam a agência, ficando no interior juntamente com 15 clientes. Revoltados por não poder entrar, os agricultores impediram a saída de qualquer pessoa, mas depois cederam às negociações, permitindo primeiro a saída de clientes e, depois, dos funcionários.
Os agricultores permaneciam no local até a tarde de ontem e mantinham-se dispostos a continuar o movimento até receber uma resposta satisfatória sobre a liberação dos recursos. Representantes do Incra e do banco negociavam com os líderes do movimento, tentando encontrar uma solução para o impasse.
Os recursos solicitados somam R$ 700 mil. Os agricultores estão assentados em Ibema (a 13 quilômetros de Catanduvas e a 24 de Cascavel) há quase 10 anos. Ao todo, são 98 famílias. Segundo a assessoria do banco em Curitiba, o assentamento ainda não foi regularizado pelo Incra, e por isso o dinheiro não foi liberado.
A agência do Banco do Brasil permaneceu fechada ontem. Representantes do banco e dirigentes do Incra sequer apareceram no local até as 16h40, ao contrário do que estava previsto, o que levou agricultores a imaginar que as negociações estivessem acontecendo em outro local, de forma sigilosa, sem a participação deles. A assessoria do banco em Curitiba informou que clientes que tinham que fazer qualquer tipo de operação exclusivamente no BB na data de ontem não seriam prejudicados.
Edmundo Borges Diniz, membro de um comitê de apoio constituído pelo Centro de Estudos e Formação Política de Cascavel, entidade que acompanha a situação dos agricultores há vários anos, diz que eles querem uma negociação aberta. Ele observa que a área ocupada já foi declarada pela Justiça como de domínio da União e colocada à disposição do Incra. ‘‘O problema é que o Incra não fez o enquadramento da situação dos agricultores na área, o que impede a liberação dos recursos’’, explica.
A área foi invadida há 9 anos, por aproximadamente trezentas famílias. São 1.950 hectares, nas fazendas Caldato e Babinski. Como não havia área suficiente para todas as famílias, apenas 98 acabaram ficando no local.

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