Tamarana O Assentamento Serraria, cerca de 20 quilômetros distante do centro de Tamarana, acolhe hoje 20 famílias cadastradas no projeto nacional de reforma agrária. Estabelecidos, e longe do desgaste da cruzada por um pedaço de terra, alguns produtores, entrevistados pela Folha, revelam uma certa apreensão com a possibilidade do acampamento do MST ganhar, nos próximos dias, centenas de novas famílias. Por medida de segurança, todos pedem a proteção do anonimato.
Um deles, que abriu mão de seu pequeno rebanho de vacas para plantar soja colheu 80 sacas na primeira experiência, negociada depois com uma cooperativa tem gravado na memória o dia em que viu alguns sem-terra de um acampamento antigo invadindo sua plantação de milho. ''Eles levaram algumas espigas e não tive condições de fazer nada'', relembrou.
Outro, que é o terceiro dono de uma área desapropriada há quase 15 anos, disse que entende as razões do MST, mas gostaria de continuar a vida sem a tensão de um conflito perto de sua casa. ''Não sou contra, nem a favor, isso é um problema do governo. Tenho que pensar em primeiro lugar na minha família'', ponderou.
Segundo informações da superintendência do Incra, em Curitiba, uma supervisora do instituto será deslocada na próxima semana, chegando ao local provavelmente na terça-feira, para colher os primeiros dados sobre o acampamento. O Incra já tomou conhecimento no número de famílias e do corte de eucaliptos usados na construção de barracos. (G.G)

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