Agricultores da Fazenda Água Branca, assentamento localizado em Tamarana (62 km ao sul de Londrina) estiveram ontem, na 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP) para prestar queixa contra uma empresa de terraplenagem de Londrina. Os assentados acusam o proprietário da empresa, contratada para fazer locação de curvas e preparação do solo, de receber pelo serviço mas não concluir o trabalho.
O agricultor Valter Moraes Leme, 41 anos, explicou que cada um dos 22 assentados contrataram a empresa para trabalhar 30 horas em cada propriedade, totalizando 660 horas de serviço. ''Ele sacou o valor completo e já ia tirar o trator da propriedade, mas nós prendemos porque ele não terminou o serviço'', disse. Outro morador do Água Branca, Lino Pereira, 46 anos, acusou o dono da empresa de utilizar recibo em branco.
O engenheiro da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Ganassin, garantiu que os assentados não serão prejudicados porque o projeto é beneficiário do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) do Governo Federal. Ele disse ainda que os agricultores tinham sido orientados a não assinar recibos em branco. ''Será preciso abrir um processo judicial contra o proprietário da máquina'', apontou.
O trator de esteira apreendido no assentamento é de Claysson Camargo, que alugou a máquina para a empresa contratada. Ele garantiu que o serviço foi finalizado e que ainda faltava receber o pagamento por três lotes. ''Pode ir um fiscal lá e ver que o trabalho foi feito'', afirmou. A empresa é de propriedade de seu cunhado, que prestou depoimento ontem para o delegado-adjunto da 10 SDP, Jorge Barbosa.
Barbosa informou que o trator apreendido foi liberado ainda ontem porque era de propriedade de terceiro e não da empresa acusada. O delegado-adjunto disse que vai analisar se o inquérito continua com a Polícia Civil ou é repassado para a Justiça Federal.

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