Mão-de-obra desqualificada, analfabeta ou semi-analfabeta, famílias numerosas procedentes de cidades menores. É o perfil das famílias sem-teto que ocupam áreas invadidas ou assentamentos promovidos pela Prefeitura de Londrina. Este é o caso da família de João Custódio Dias, 46 anos, acampado na Gleba Patrimônio Londrina, no Jardim Interlagos (zona leste).
João Custódio e a mulher, Sandra, têm três filhos e desde fevereiro vivem na esperança de realizar o sonho da casa própria. A família é de Lidianópolis (130 km ao sul de Apucarana), onde João Custódio trabalhava como ‘‘gato’’ (agenciador de bóias-frias). ‘‘Escolhemos Londrina porque o nosso prefeito Belinati dá uma força para o povão’’, diz o sem-teto ao explicar que a vida em Lidianópolis estava muito difícil.
O migrante revela que foi candidato a vereador de Lidianópolis, nas eleições de 92. ‘‘Fiz 52 votos, mas precisava de mais 22 para ser eleito’’, conta, orgulhoso, acrescentando que é mais fácil viver ‘‘escondido’’ em Londrina do que ser ‘‘autoridade’’ em Lidianópolis. ‘‘Com o fim do algodão naquela região, acabou o serviço e tivemos que mudar.’’
Ao chegar a Londrina, João Custódio morou em uma casa no Vale San Fernando (zona sul), mas não aguentou pagar o aluguel. ‘‘Fazemos qualquer serviço, mas infelizmente não está dando para ganhar dinheiro suficiente para pagar aluguel’’, queixa-se, assegurando que se a Prefeitura fizer o assentamento de sua família faz questão de pagar o financiamento. ‘‘Não queremos nada de graça, não. Só queremos ter condições de morar e pagar sem deixar a família passar fome.’’Marcos BorgesDias: ‘É mais fácil viver escondido aqui que ser autoridade em Lidianópolis’Áureo Nogueira

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