Arquivo FolhaPreocupaçãoMiranda: ‘Projeto abre precedentes para manipulação de cargos’Professores da rede estadual de ensino prometem lotar as galerias da Assembléia Legislativa, a partir das 14 hopas de hoje, para tentar evitar a primeira votação do projeto que cria a Paranaeducação - uma empresa privada, ligada ao governo, que seria responsável pela gestão do sistema educacional no Estado. Revoltados, os professores acreditam que o projeto é um primeiro passo para privatizar o ensino público no Paraná, retirando do governo a responsabilidade pelo financiamento da educação de 1º e 2º graus.
O projeto foi apresentado à Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia pelo secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, escalado para ser também o superintendente da nova empresa. Pelo projeto, a Paranaeducação poderá contratar ou dispensar funcionários e ainda decidir sobre o conteúdo pedagógico dos programas de ensino. Além disso, a empresa também irá gerir os recursos destinados ao setor e administrar fundos de financiamento da educação.
Segundo o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, estas especificações abrem precedentes para que a empresa tenha liberdade de gerir a educação, seguindo apenas a lógica de mercado. ‘‘Qual empresa irá querer instalar uma escola em uma aldeia em Guaraqueçaba, empreendimento que não tem qualquer garantia de lucros financeiros?’’, pergunta.
Outro temor dos professores é que, a partir da criação da Paranaeducação, o setor possa servir de abrigo para funcionários ‘apadrinhados’ do governo. ‘‘O projeto não está claro e por isso abre precedentes para a manipulação de cargos’’, diz. Em uma nota distribuída ontem à imprensa, o presidente da APP-Sindicato também questiona o porquê da pressa do governo na aprovação do projeto. Segundo Miranda, a mensagem foi encaminhada à Assembléia com o pedido de que seja votada em regime de urgência. ‘‘Como os deputados podem opinar sobre uma coisa que sequer conhecem?’’, diz.

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