Uma assembléia marcada para ontem à noite na sede provisória da Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iria reunir os moradores que continuam no prédio alugado pela instituição no Centro da cidade e o grupo que ocupou na semana passada o prédio construído no campus para abrigar a Casa. A nova sede foi entregue pela gestão anterior da UEL mas não chegou a ser liberada para habitação por conter uma série de falhas. O objetivo da assembléia era definir se os dois grupos vão se unir daqui para frente.
O estudante de pós-graduação em Filosofia Danilo Ramos, que mora na Casa do Centro, disse ontem que todos na moradia estão bastante irritados. ''Criou-se um grande mal-estar. A repercussão do que eles fizeram está sendo muito negativa e concretamente não conseguiram nada''.
Segundo o estudante, se durante a assembléia ficasse claro que o movimento que ocupou a Casa do campus é individual, os que moram no Centro passarão a conversar separadamente com a administração da universidade. ''Eles terão a oportunidade de vincular o movimento à Casa, mas neste caso terão que acatar as decisões da maioria'', afirmou Ramos, que se diz a favor da desocupação ''como forma de manter o diálogo saudável com a reitoria''.
Dois representantes do grupo que está no prédio do campus garantiram que eles mantêm a posição inicial, como forma de pressionar a reitoria a atender as suas reivindicações. A principal delas é o maior poder de decisão nas regras internas.
''Sempre houve divergências dentro da Casa, e hoje defendemos que a UEL mantenha os dois espaços, mas não necessariamente com esta divisão de grupos'', afirmou um dos estudantes ouvidos, que prefere não ser identificado. Eles disseram que inicialmente a ação do grupo foi isolada por uma questão estratégica, para que a informação não vazasse e prejudicasse a ação. ''Agora o movimento já está ganhando mais adeptos, e esta adesão é por necessidade de moradia'', afirmaram.
De acordo com os estudantes, cerca de 30 pessoas estão morando no prédio, que está sem luz e água. ''Cortaram a água na quinta-feira. Consideramos isto um tratamento desumano, uma violência.'' Por enquanto a água não acabou no prédio, e para economizá-la os novos moradores estão evitando fazer faxinas. Para cozinhar, eles se cotizam para a compra de alimentos. Alguns comem no Restaurante Universitário. Ontem à tarde um estudante começava a carpir parte do terreno para fazer uma horta. Quatro seguranças se revezam no local 24 horas por dia.
Segundo a Coordenadoria de Comunicação da UEL, a administração ainda aguarda que os estudantes entrem com recurso no Conselho de Administração (CA) para se defender. Uma reunião do Conselho está marcada para amanhã para discutir o assunto. Ainda este mês deve ser aberto o processo licitatório para as reformas necessárias na Casa construída no campus.

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