Assembléia se une contra os despejos
Da Sucursal
O caso dos despejos de mutuários inadimplentes, especialmente no Norte do Estado, chegou à Assembléia Legislativa. Nesta semana foi formada uma comissão que pretende facilitar as negociações entre mutuários e a Caixa Econômica Federal (CEF). Somente nas regiões de Londrina e Maringá há 68 empreendimentos imobiliários em que a inadimplência ultrapassa 60%, e centenas de imóveis devem ser retomados pela CEF nos próximos meses.
A situação é tão grave que a Caixa criou estruturas especiais para tratar dos chamados empreendimentos-problema. No Paraná, elas existem em Londrina e Maringá. Na região de Londrina, há 24 empreendimentos considerados casos críticos, em 14 municípios. Eles abrangem 3.607 mutuários, que correm o risco de perder os imóveis.
Segundo o analista Paulo Longo, do escritório de negócios da CEF em Londrina, existem 399 imóveis já retomados pelo banco por falta de pagamento e repassados para terceiros através de venda direta ou leilão. Outros 163 já foram vendidos este ano.
Na região de Maringá, são 44 empreendimentos, representando cerca de 4 mil mutuários. Cerca de 200 mutuários com prestações atrasadas estão sendo despejados mensalmente pela CEF na região.
A maioria dos contratos com prestações em atraso foi fechada no período 1989-90. Segundo o gerente de mercado do escritório de negócios da CEF em Maringá, Oswaldo Ribeiro, a maioria é de imóveis financiados com recursos da caderneta de poupança e destinados à classe média.
Para o deputado Joel Coimbra, que integra a comissão formada na Assembléia, o problema tomou essas dimensões porque a CEF dificulta o acordo com os devedores. Segundo ele, em muitos casos as prestações subiram em razão de superfaturamentos na construção, durante o governo Collor, que estão sendo apurados através de um inquérito aberto pela Polícia Federal.
O que mais revolta os mutuários é que os imóveis tomados dos devedores são vendidos ou leiloados por até metade do valor indicado nos contratos de financiamento. Paulo Longo, analista da CEF em Londrina, diz que isso pode ocorrer porque o valor é depreciado com o uso ou pela desvalorização de uma região. Mas, segundo ele, a retomada do imóvel pela Caixa é a última opção, depois de todas as tentativas de negociação.
Ribeiro, da CEF em Maringá, admite que é difícil para os devedores fechar um acordo. A maioria está há mais de três anos sem pagar e, na hora de recalcular a prestação, isso torna o valor muito alto, afirma. A comissão formada na Assembléia está pedindo também a interferência do Ministério Público, para acompanhar os despejos e as negociações.





