Assembléia ouve família de sem-teto
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná recebeu, em audiência pública realizada ontem, familiares e companheiros de Celso Eidt, 38 anos, sem-teto executado com 15 tiros no dia 5 de novembro na Rua João Dembinski. Eidt era um dos moradores do terreno invadido no bairro Fazendinha, em setembro. Depois da desocupação da área, dia 23 de outubro, passou a morar em barracos montados na calçada em frente ao local.
A família procurou a comissão para pedir auxílio no esclarecimento da morte do sem-teto e rebater as informações de que haveria mandados de prisão expedidos contra ele no Rio Grande do Sul. Durante o encontro, conduzido pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), foram ouvidos os familiares da vítima e pessoas que moravam em barracos próximos ao de Eidt. O presidente da Comissão de Segurança da Câmara Muncipal de Curitiba, vereador Pedro Paulo (PT), também participou da audiência.
Todas as cinco pessoas que participaram da audiência com a comissão afirmaram que Eidt não era uma das lideranças do movimento e que era uma pessoa humilde, participativa e tranquila. No dia em que foi assassinado, teria discutido com seguranças do terreno quando foi solicitar água.
As irmãs de Eidt também apresentaram um documento que comprova que ele não possui antecedentes criminais e reclamaram da falta de orientação sobre o caso. Em relação à existência de um terreno de Eidt em outro estado, sua irmã, Terezinha Eidt, explicou que a área é de usufruto de outra irmã do sem-teto e que ele saiu do local para que familiares cuidassem da proprietária, que tem problemas de saúde.
Veneri afirmou que ainda nesta semana serão feitos os primeiros encaminhamentos para a solução do caso. A comissão irá acionar a Polícia Federal, para buscar informações sobre a empresa responsável pela segurança do terreno, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), com o objetivo de esclarecer que organismo é responsável pela condução do inquérito, uma vez que a família não consegue informações sobre as investigações.
Também serão procuradas a Câmara Municipal e a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). "Queremos saber porque isso aconteceu, o que motivou a morte do Celso. Ninguém leva 15 tiros do nada, uma execução não é corriqueira, não é comum", afirmou o deputado.


