Leandro Donatti
De Curitiba
As investigações de supostas irregularidades administrativas envolvendo a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), de Londrina, chegaram à Assembléia. Os deputados rejeitaram ontem moção de apoio, apresentada por José Maria Ferreira (PSDB), pedindo respaldo da Assembléia para as investigações do Ministério Público. José Maria Ferreira classificou de ‘serena’ e ‘sensata’ a forma como os promotores do caso vêm procedendo a apuração.
A oposição votou a favor da moção de apoio. Os governistas contra. A orientação foi repassada pelo governador Jaime Lerner (PFL), aliado do prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL), através do chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, em visita ao líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), pela manhã.
Os governistas classificaram a moção como um prejulgamento. Valdir Rossoni foi mais longe e acusou um dos promotores, o de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Bruno Gallati, de sensacionalismo. ‘‘Somos contra, porque achamos que esse promotor não é digno de voto de louvor. É um sensacionalista. Não podemos atestar isso’’, disparou Rossoni. O trabalho do promotor tem recebido apoio de instituições e entidades de classe de Londrina, entre elas a Igreja Católica, OAB, Acil e Sociedade Rural do Paraná.
Angelo Vanhoni (PT) discordou da bancada governista, assim como os outros dez deputados de oposição que o acompanharam na hora da votação. ‘‘Temos um compromisso ético de respaldarmos essas investigações do Ministério Público. É hora de darmos o exemplo’’, discursou o petista.
‘‘Imaginem senhores deputados quanta pressão está recebendo esse promotor. Se fizermos isso (aprovar a moção de apoio) estamos defendendo investigações imparciais. Não estamos discutindo o mérito da questão. O que me deixa estupefato é o líder do governo fazer pronunciamento justamente contra o promotor que investiga o caso’’, argumentou Vanhoni.
Ontem, representantes de 16 lojas maçônicas de Londrina, Cambé e Ibiporã estiveram no Fórum conhecendo detalhes das investigações. As lojas maçônicas também publicaram ontem na Folha um manifesto cobrando da Câmara de Vereadores uma posição sobre o caso. Se confirmadas as suspeitas, o prejuízo aos cofres da Prefeitura de Londrina pode chegar a R$ 30 milhões. ‘‘Desde o início estamos apoiando, irrestritamente, o trabalho do Ministério Público’’, destacou o maçom Antonio da Silva Pignatari.
Hoje, a Câmara discute requerimento que pede abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades na AMA e na Comurb. (Colaborou Lúcio Horta)

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