Assembléia exige providências pela paz
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
James Alberti e Dimitri do Valle 
A Assembléia Legislativa do Paraná aprovou na sessão de ontem, por unanimidade, três requerimentos pedindo providências às autoridades do Estado e de Guaratuba, no Litoral, em relação as ameaças e agressões sofridas pelos moradores de Rasgadinho, zona rural daquele município.
As 19 famílias de agricultores que ainda residem na localidade acusam o engenheiro mecânico e fazendeiro Sérgio Chaves Cavalcanti de tentar expulsá-los à força das terras que ocupam há mais de 50 anos, conforme mostrou a Folha em reportagem publicada no domingo. Cavalcanti estaria se cercando de pistoleiros e soltando sua manada de búfalos em direção à vila, para forçar os posseiros a vender as terras por valores irrisórios.
O advogado do fazendeiro, Arnaldo Conceição Júnior, reafirmou que Cavalcanti nega todas as acusações feitas pelos posseiros. Segundo Conceição, os búfalos não estariam impedindo o acesso dos alunos à escola, embora as aulas tenham sido suspensas por três meses em 1997 e um mês neste ano. O advogado também disse que Cavalcanti não tomou conhecimento de nenhuma agressão provocada por seus vigilantes, como ele chama os jagunços.
Os requerimentos, de autoria do deputado Irineu Colombo (PT), têm como destinatários o prefeito de Guaratuba, Everson Ambrósio Kravetz, o secretário da Segurança Pública do Estado, Rubens Abrahão Tanure, e o procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia.
Para o prefeito, o documento pede a liberação imediata da estrada entre a localidade de Limeira e Cubatão, que estaria interrompida pelos búfalos, e a manutenção do funcionamento da escola, com infra-estrutura, material didático e garantia de segurança aos alunos que se sentiriam ameaçados pelos animais.
Ao secretário da Segurança, é solicitada a imediata retirada dos búfalos da estrada e dos pistoleiros da região - um deles, apontado como o mais violento, conhecido como Joacir, foi morto misteriosamente.
Para Giacóia, o requerimento pede que sejam tomadas as medidas cabíveis para que se retorne à paz e justiça para a comunidade de Rasgadinho, sem que sejam determinadas quais sejam tais medidas. Esta Casa não pode deixar passar em branco esta situação e correr o risco de ser acusada de omissão, disse Irineu Colombo, em seu pronunciamento.


