A diretoria do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense discute hoje, em assembléia, a proposta de venda da sede do clube, localizada no centro da cidade. Uma cláusula na escritura de doação do terreno, que determina a utilização do espaço para associação recreativa, social, esportiva ou educacional, pode atrapalhar as negociações. A solicitação de tombamento do prédio, pela Secretaria Municipal de Cultura, também pode desvalorizar o imóvel.
De acordo com o empresário Gustavo Lessa, ex-presidente do Grêmio, a condição da Companhia de Terras ao doar o terreno, em outubro de 1949, foi de que o local fosse utilizado somente como associação recreativa e isso impediria a venda do prédio. ‘‘A Companhia de Terras fez a doação à Prefeitura, que fez a doação ao Grêmio, com uma finalidade que, se não for respeitada, implica na devolução do terreno’’, disse.
O atual presidente do Grêmio, Ederson Camata, entende a cláusula de maneira diferente. ‘‘O imóvel volta ao doador caso haja dissolução do Grêmio, o que não é o caso. Pretendemos vender para investir no próprio clube, na sede campestre. Consultamos vários advogados que também entendem isso’’, disse. Segundo Camata, a manutenção do prédio no centro, localizado em terreno de 1,2 mil metros quadrados e área construída de 3,2 mil metros quadrados, é ‘‘economicamente inviável’’, com um gasto mensal de cerca de R$ 10 mil. O valor do imóvel, segundo Camata, é estimado em R$ 2 milhões. ‘‘É na sede campestre onde realmente o clube funciona’’, explicou. Hoje, o clube tem 2,6 mil associados.
O secretário de Cultura, Bernardo Pellegrini, informou que o tombamento do imóvel não impede sua venda, mas impõe a preservação da arquitetura. Para Camata, o local pode ser aproveitado para uma escola, igreja ou minishopping. A Secretaria de Cultura solicitou tombamento de prédios localizados numa região entre a Avenida Rio de Janeiro, Alameda Manoel Ribas e Rua Maestro Egydio do Amaral.

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