Curitiba - A Assembléia Legislativa liquidou a votação da mensagem do governo que reestrutura as carreiras na Polícia Civil. A matéria, que chegou ontem ao plenário, foi aprovada horas depois graças a uma sessão extraordinária, e a um requerimento que dispensou o projeto de última votação. Falta agora a sanção do governador Jaime Lerner (PFL) para que as mudanças virem lei.
  O texto aprovado pelos deputados tem o apoio do Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol). O principal avanço contido na mensagem, na avaliação da própria corporação, é a extensão da gratificação do Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide) para todos os policiais civis. Atualmente, apenas 400 dos 3 mil policiais civis na ativa recebem a gratificação amparados por uma decisão judicial. ‘‘Tínhamos uma situação absurda de que policiais civis com a mesma classe e o mesmo tempo de serviço recebiam salários completamente diferentes por causa do Tide. Tinha policial de quarta classe ganhando mais do que policial de primeira’’, explicou Luiz Bordenowski, presidente do Sinclapol.
  O Tide representa uma gratificação de 120% sobre os salários dos policiais civis. Outra vantagem da mensagem é o fato das demais gratificações hoje existentes (como risco de vida, seguro saúde, regime especial de trabalho policial e de representação) serem incorporadas completamente aos salários. Na prática, isso significa que o salário base de um policial civil passa de R$ 270,00 em média para R$ 650,00.
  ‘‘Isso vai garantir que os futuros governantes do Estado não tenham poder para extinguir uma gratificação. Exceto o Tide, as demais farão parte do salário do servidor’’, explicou o relator da mensagem, deputado Algaci Tulio (PSDB).
  Aproveitando a votação da mensagem, as mulheres dos policiais militares foram à Assembléia para pedir melhorias à Polícia Militar. Ocuparam as galerias e levaram faixas. Elas têm pressa na votação de projeto semelhante ao dos policiais civis. A proposta, costurada pela PM, está desde março na Secretaria da Administração, e não tem data para chegar ao Legislativo.
  O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), considerou ‘‘justa’’ a reivindicação das mulheres dos PMs. ‘‘Mas depende de o Executivo mandar a mensagem. O Legislativo não pode conceder benefícios a ninguém’’, disse. (Colaborou Luciana Pombo).

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