Londrina – A condição e as discriminações sofridas pela mulher negra no Paraná foram assunto de debate realizado ontem em Londrina. O evento fez parte da 23ª Semana Municipal da Mulher e marcou também o lançamento na cidade da "Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver", que irá acontecer em Brasília, no dia 18 de novembro, mês da consciência negra.
A discussão colocou em pauta os principais problemas enfrentados pelas mulheres negras no Brasil, como as desvantagens no mercado de trabalho, o assédio sexual e moral e a violência física, psicológica e sexual. "Em qualquer recorte que se faça da sociedade brasileira, a situação das mulheres negras é a pior, mesmo em relação às demais mulheres. Elas ganham menos e sofrem mais violência", citou a palestrante Alaerte Martins, filiada à Rede de Mulheres Negras do Paraná e da Rede Feminista de Saúde.
Para a ativista, houve muitas conquistas nos últimos anos em relação a proteção às mulheres e políticas de igualdade social e racial. "Porém, ainda há muito a caminhar. O Paraná, por exemplo, na tem uma secretaria de promoção da igualdade racial", ressaltou.
Segundo ela, os abusos e discriminações contra mulheres, principalmente negras, acontecem diariamente e em todos os segmentos da sociedade. Entre os processos que tramitam na 6ª Vara Criminal de Londrina, especializada em crimes contra mulheres, 90% são de mulheres carentes. "Não temos dados que mostram qual o percentual de ações criminais em relação a mulheres negras. Mas, são as mais carentes e moradoras da periferia quem mais buscam a Justiça", frisou a juíza Zilda Romero.
A magistrada comemorou a sanção, pela presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, da lei que transformou os homicídios de mulheres cometidos por companheiros em feminicídio. "Passa a ser um crime hediondo, com diversos agravantes, como se for cometido na presença dos filhos. A pena pode chegar a té a 40 anos de reclusão", ressaltou. Atualmente na Vara Maria da Penha tramitam dez processos de homicídios contra mulheres praticados por namorado, marido ou companheiro.
"Eventos como esses são importantes para uma mudança de comportamento e para que a paz possa acontecer dentro das famílias", apontou a juíza.
A Marcha das Mulheres Negras espera a presença de 100 mil pessoas em Brasília. De Londrina, pelo menos 150 mulheres devem viajar até a capital federal.

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