Assassinos de taxista são presos
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Telma Elorza<br> Reportagem Local 
''A gente queria só o carro, mas ele reagiu e a gente se apavorou. Quando eu vi, o T. já estava esfaqueando ele''. Essa foi a justificativa de Alexsandro Sartori Almeida, 18 anos, para o assassinato do taxista Nelson Dias Paião, morto com quatro facadas na noite da última segunda-feira, no Patrimônio Espírito Santo, zona sul de Londrina. Almeida e o menor T.F.B. 16 anos, foram presos em flagrante ontem, por volta das 14 horas, em uma área de preservação permanente da Fazenda Esperança, Distrito de Guaravera. Os dois moram no distrito e já tinham passagem pela polícia por furto de um suíno.
Alexsandro e T.F.B. estão detidos na Casa de Custódia de Londrina (CCL) para evitar que taxistas colegas de Paião, revoltados com o crime, tentem alguma agressão contra eles. O menor passou a noite em uma cela especial, separada dos demais detentos. O delegado Algacir Ramos, do 6º Distrito Policial, deve interrogá-los ainda hoje, na própria CCL. Depois, o menor será encaminhado para o Educandário São Francisco, em Curitiba.
Segundo o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, a prisão dos dois foi resultado de uma operação conjunta entre as Polícias Civil e Militar. ''Ontem (anteontem) a gente já tinha identificado a autoria do crime e na mesma noite montamos uma operação para vasculhar a área rural de Guaravera'', explicou. A operação começou por volta das 9 horas e teve a participação do pai de um dos dois rapazes.
André contou que a dupla foi encontrada em meio a mata, onde tinham até montado um acompamento. Não houve reação à prisão. Um deles ainda portava a faca usada no crime. De acordo com o delegado, até o helicóptero do Centro de Operações Aéreas foi requisitado para ajudar nas buscas. Mas, segundo ele, o aparelho chegou depois que a dupla estava presa e acabou apenas dando apoio ao transporte até Londrina. Trinta policiais participaram da operação.
Os dois rapazes afirmam que quem matou o taxista foi o menor, mas o delegado-adjunto acredita que ele está assumindo a culpa para livrar o outro da pena por latrocínio, que é de 20 a 30 anos de prisão. ''Isso foi combinado entre eles. Eles sabem que, por ser menor, pode ficar preso apenas três anos'', afirmou Jurandir André.
O presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina, Antônio Pereira da Silva, foi o único taxista que teve autorização para participar da apresentação dos dois rapazes à imprensa, ontem, no final da tarde, na CCL. Ele fez questão de participar para fazer um apelo. ''Eu quero apelar à Justiça para que evite que esses dois marginais sejam soltos. Se eles forem soltos, podem matar outro pai de família'', disse. Cerca de 30 mototaxistas e taxistas se concentraram em frente ao portões da CCL até que a apresentação fosse concluida. Não houve tumulto.
O delegado Algacir Ramos acredita que o inquérito deve ser concluido já na próxima semana. ''Estou só esperando o resultado do laudo da necrópsia para isso'', afirmou.


