O assassino confesso da estudante Márcia Andréia Constantino, 10 anos, Natanael Búfalo, 41 anos, se considera um ''mostro'' e acha que deveria ficar preso pelo resto da vida. A afirmação foi feita na manhã de ontem, durante uma entrevista coletiva organizada pela Polícia Civil de Maringá. No meio da tarde, os policiais também receberam o resultado do exame de DNA, comprovando que ele foi responsável pela morte da menina. Com essa prova, o inquérito deve ser concluído ainda essa semana.
Búfalo chegou para a coletiva com os jornalistas sob um forte esquema de segurança e usando um colete a prova de bala. Ele se mostrou frio durante boa parte da entrevista e respondeu todas as perguntas. No final, o assassino se emocionou e chegou a chorar, dizendo que estava arrependido.
O assassino contou com detalhes como abusou e matou Márcia, no dia 20 de outubro. Ele afirmou por várias vezes que não havia premeditado o crime e apenas viu a oportunidade de levar a menina. ''Me deu vontade naquele momento e quando chamei ela pra ir buscar um bolo, ela veio comigo'', revelou. Já em casa, o animador de lojas abusou sexualmente da garota e a matou asfixiada com um saco plástico. Depois disso, levou o corpo até um milharal, na saída para Iguaraçu, onde tentou atear fogo na estudante para dificultar as investigações.
''Não queria matá-la, mas depois fiquei com medo de ser reconhecido. Como já estava cometendo o crime mesmo, acabei matando''. Búfalo se classificou como um monstro durante a entrevista e disse que deveria ficar preso para sempre. Quando questionado se cometerá outro crime como esse, se ficar em liberdade, ele respondeu que provavelmente sim.
Outro fato que chamou a atenção foi a frieza do assassino após o crime. No dia seguinte, ele foi até o velório e abraçou o pai de Márcia dizendo para ele não se preocupar porque a justiça seria feita e o assassino seria preso. Búfalo também quis ajudar a polícia durante as investigações, mas acabou se tornando o principal suspeito, por contradições em seu depoimento. ''Fiz isso, porque precisava de um álibi'', argumentou.
O acusado só se emocionou quando falou sobre seus três filhos, que têm 13, 10 e 9 anos. Ele afirmou que se alguém fizesse o que ele fez, com um deles, com certeza mataria o criminoso. Mesmo assim, pediu que família de Márcia o perdoasse e se justificou dizendo que sofreu um abuso sexual quando tinha sete anos e cresceu com esse trauma.
De acordo com o delegado-chefe de Maringá, Antonio Brandão Neto, além da confissão, agora a polícia tem a prova do teste do DNA e o caso está encerrado. Desde o dia de sua confissão, Búfalo está preso em uma cela especial na Penitenciaria Estadual de Maringá (PEM). Ele foi levado para PEM por medida de segurança, porque já foi ameaçado por outros presos na delegacia da cidade.
Búfalo estava em liberdade condicional. Ele já tinha sido condenado a 12 anos de prisão por estupro, em 2001, no município de Presidente Castelo Branco, e havia cumprido cinco anos de prisão. Pela morte de Márcia, a polícia acredita que ele poderá ser condenado a uma pena que vai de 25 a 57 anos.

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