Assassino diz que matou por engano
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoCrueldadeO matador Ênio de Lima cercado por policiais: espancamento com pedaço de pau crivado de parafusos A estudante Mariângela Schelle, 15 anos, encontrada morta quarta-feira em Cascavel, foi assassinada por engano. O crime teve requintes de perversidade. O chapeador desempregado Enio Paulo Nunes Lima, 23 anos, casado, dois filhos, confessou o crime ontem à polícia de Cascavel. Ele disse que estava bêbado e imaginou que Mariângela estivesse com sua carteira, que havia perdido ou sido roubada em uma lanchonete no centro da cidade, por isso a matou.
Mariângela Schelle foi morta pouco antes da meia-noite de terça-feira, quando havia faltado à aula. Lamentavelmente, ela estava em hora e local errados, o que não ameniza o crime, disse o delegado-chefe da 15ª SDP de Cascavel, Osnildo Carneiro Lemes. Enio Paulo Nunes Lima foi detido às 19 horas de domingo na casa de um tio, no bairro Faculdade, zona sul da cidade.
O assassino estava numa lanchonete no centro da cidade, onde jogava bilhar e exagerava na bebida, quando notou que sua carteira com documentos e R$ 23,00 havia sumido. No local estavam algumas adolescentes, que se afastaram quando ele começou a reclamar que tinha sido roubado. Naquele momento, Mariângela passava pela calçada em frente à lanchonete, que fica nas imediações do Colégio Wilson Joffre, onde ela estudava.
A estudante tinha ido a outra lanchonete com amigos e retornava para casa sozinha. Seu pai, Rodolfo Schelle (dono de uma firma de refrigeração), sempre ia buscá-la na saída da escola. Naquela noite, como não a encontrou, por volta das 23h30 avisou a Polícia, iniciando-se as buscas. Na manhã seguinte, o corpo de Mariângela foi encontrado num barracão nas proximidades do local onde foi interceptada pelo assassino.
Enio afirma que desconfiou que a menor estivesse com sua carteira, por isso abraçou-a para impedir que fugisse e encostou a ponta de uma caneta em suas costas, simulando ser uma arma. Ele levou-a para o barracão, onde tirou as roupas da adolescente (não houve estupro) para dar revista. Inconformado por não ter encontrado a carteira, passou a bater a cabeça de Mariângela contra a parede e depois bateu com um pedaço de madeira que encontrou no local.
Na madeira, resto de carroceria de caminhão, havia grossos parafusos que perfuraram os olhos da estudante. Depois de espancá-la, Enio tentou vesti-la, arrancou-lhe o brinco que deixou no local, e levou o cinto e um relógio, jogando-os em um terreno baldio. Na sequência foi para sua casa, no bairro Tarumã (zona Norte), pegou a esposa e os filhos e levou-os para a casa do tio, onde contou que havia feito uma besteira e pediu dinheiro para ir para Foz do Iguaçu, onde moram seus pais.
Polícia mobilizada As investigações mobilizaram a polícia local, e foram chefiadas pelo delegado Osnildo Carneiro Lemes e pela delegada da Mulher, Elaine Ribeiro. Segundo Osnildo, a casa dos tios de Enio mereceu vigilância especial. Soubemos que ele era muito apegado aos filhos, e a qualquer momento apareceria para vê-los. Isto aconteceu às 19 horas de anteontem, quando ocorreu a prisão, sem resistência.
Os familiares de Enio Lima que não comunicaram o crime à Polícia ao tomar conhecimento do fato, a princípio não devem ser enquadrados por ocultação de crime. O Código Penal prevê escusa absolutória, ou seja, pessoas que têm laços de parentesco com quem comete um crime não são obrigadas à delação. Segundo Osnildo Carneiro, ao serem procurados por policiais durante as investigações os familiares colaboraram com informações para elucidação do crime.


