Há seis meses o médico cardiologista Francisco de Assis Coimbra Jr., 38 anos, de Maringá, foi raptado numa das avenidas mais movimentados da Zona 4, bairro onde se localiza a maioria das clínicas e hospitais da cidade. Trinta e cinco dias depois seu corpo foi encontrado com duas balas na cabeça e até hoje a polícia não prendeu nenhum suspeito do crime.
Dezenas de pessoas foram ouvidas, as contas bancárias e fiscais do médico foram reviradas, todos os seus passos pela cidade foram reconstituídos, todos os lugares que frequentava com e sem a família foram investigados. Mesmo com dificuldades de pessoal, a 9ª Subdivisão Policial de Maringá colocou dez investigadores no caso.
Hoje, o delegado-adjunto que preside o inquérito, Roberto Fernandes, avalia que faltam informações para que o mandante e os executores do assassinato sejam colocados na cadeia. Coimbra Jr. tinha irmãos e outros parentes médicos. Era uma pessoa bastante conhecida e querida na cidade.
ReproduçãoOs supostos motivos de seu assassinato, transformados no principal assunto da cidade, causaram constrangimentos à classe médica. Dirigentes de hospitais, clínicas, sindicatos e associações de classe recusaram-se a falar abertamente sobre o caso, inclusive para a polícia. O delegado Fernandes tem apenas uma certeza: ‘‘A de que o crime é passional, foi motivado por vingança pessoal, e que o seu mandante é de Maringá. Disto eu tenho certeza.’’
Ele garante que a polícia continua trabalhando no caso. ‘‘Temos investigadores do Grupo Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto) da Polícia Civil trabalhando no caso. Estamos em linha direta com policiais do interior de São Paulo, de onde tenho certeza vieram os executores.’’
Para o delegado, a morte do médico foi muito bem planejada. ‘‘Ele jamais deixaria a sua clínica acompanhado por qualquer pessoa; era gente conhecida sua. Na verdade, não existiam motivos aparentes para matá-lo. A nossa esperança é que os executores, por um motivo ou por outro, acabem brigando entre si. Neste caso um delataria o outro, com certeza.’’
A mulher do médico, Jorseli Ângela Henriques Coimbra, enfermeira e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), já prestou diversos depoimentos à polícia e já foi procurada por diversas agências de detetives que querem trabalhar no caso.
‘‘Não quis porque não tenho dinheiro. Sou uma espécie de sombra do delegado Roberto Fernandes. Trocamos informações, expomos nossas dúvidas. Sei que eles continuam trabalhando no caso, mas faltam informações. Se eu pudesse, entrava na polícia para poder ajudar a solucionar o caso, é interesse meu, é interesse da família descobrir os autores do crime’’, afirmou Jorseli.

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