Assassinatos em Foz já superam os registrados em 2001
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Às vésperas do lançamento de uma campanha por segurança, Foz do Iguaçu superou até novembro o total de assassinatos registrados no ano passado, o mais violento da história da cidade. O município atingiu no sábado o indesejável recorde de 244 homicídios, contra 243 ocorridos de janeiro a dezembro de 2001.
O número foi alcançado com o assassinato do vendedor de automóveis e ex-policial federal Américo Pinheiro, 43 anos, na noite de sábado. Pinheiro foi morto quando se aproximava do apartamento onde morava com a família, no Pólo Centro (zona sul). Ele morreu ao ser atingido por dois tiros. Parentes relataram que Pinheiro havia recebido ameaças de morte há pouco tempo.
O Instituto Médico Legal (IML) registrou a morte de Pinheiro como a primeira em dezembro porque o corpo dele foi recebido no domingo. Os meses mais violentos deste ano foram abril (35 assassinatos) e março (28). Estão na outra ponta da lista os meses de setembro (13) e junho (14).
Segundo a Polícia Civil, a maioria das vítimas foi morta à bala (grande parte na cabeça), por motivos banais ou acertos de contas, tinha entre 18 e 24 anos e era desempregada. Estudos revelam que os crimes ocorrem com mais frequência na periferia e aos finais de semana.
Pelo menos 70% dos mortos teriam antecedentes criminais. Esta característica é usada por autoridades ligadas à segurança pública para justificar o elevado número de assassinatos, que dá a Foz o título de cidade mais violenta do Paraná, proporcionalmente ao número de habitantes. Em números absolutos, a cidade está atrás somente de Curitiba.
Para o presidente do Conselho de Segurança de Foz do Iguaçu (Consefi), Carlos Duso, é preciso combater a explosão social, que seria a origem do problema. Ele afirma que em muitos casos assassinos e vítimas estiveram presas ou respondiam processos: ''É bandido matando bandido''. Outro motivo seria a miséria numa cidade com 80 favelas e grande exclusão social. O conjunto de fatores estaria levando desempregados a buscar sobrevivência em atividades ilícitas. ''O crime também é fruto da impunidade, da ineficiência da estrutura repressiva. Impunidade gera violência'', afirma.
O delegado-chefe da 6Subdivisão Policial (SDP), Hamilton Cordeiro da Paz Júnior, justifica que a cidade é extremamente violenta, porque perdeu-se o conceito de respeito à vida humana. ''Isso se deve ao atrito de marginais, ao uso de drogas e a facilidade de comprar armas na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina)''.
De acordo com ele, apesar de a violência estar restrita ao meio criminoso, todos são encarados como vítimas e os culpados responsabilizados. Estatística do delegado revela que ocorreram 206 assassinatos de janeiro a outubro (dado inferior ao do IML). De março (quando ele assumiu o cargo) a outubro, 91 casos foram esclarecidos.


