Assassinato é a face mais violenta do preconceito
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Curitiba 
Uma outra face do preconceito sexual, mais violenta, aparece na estatística: 55 gays foram assassinados desde 1975 no Paraná, a maioria de forma brutal. O levantamento é do Grupo Dignidade. Geralmente os autores dos crimes são garotos de programa ou companheiros da vítima. O último caso foi registrado no dia 26 de fevereiro deste ano, com a morte por asfixiamento do funcionário público Fernando César dos Reis, em Cascavel, na Região Oeste.
No caso de Reis, o assassino era seu parceiro, Valdecir Ribas do Carmo. Ele alegou que tinha cheirado cocaína e não havia percebido a morte do amante, com as mãos e os pés amarrados para trás. Já o assassinato de Cleon Jaques Laibida, diretor e professor do Centro Cultural do Teatro Guaíra, em Curitiba, continua sem solução. Ele foi encontrado morto em sua casa, no último dia 27 de janeiro, com sete facadas no tórax e no pescoço.
Outro homossexual morto em casa foi o professor aposentado Andrés Fernandez, natural da República Dominicana, estrangulado no dia 26 de fevereiro de 1995, também em Curitiba. Uma pessoa viu o suspeito. Já a professora Rosana Pereira tomou um tiro na cabeça e teve o corpo encontrado em 23 de outubro de 1993, enterrado numa cova rasa, no município de Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. Os suspeitos: a parceira Karla de Pieri Gonçalves e o ex-noivo Marco Aurélio de Souza.
A lista ainda lembra a morte de Luís César Viana, o Gandula, estrangulado por um companheiro de cela após tê-lo procurado para ter relações sexuais na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, no dia 1º de setembro de 1982. No ano seguinte, em 21 de março, o travesti Luiz Carlos Prosdócimo, o Samantha, morreu com uma facada no pescoço. Sem pista. (D.J.)


