Mais de 50 taxistas promoveram ontem um protesto em frente ao Instituto Médico-Legal (IML) por causa do assassinato da taxista Erondines Borges Monteiro, 38 anos, na madrugada de ontem, no bairro Parque São Jorge, em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). Erondines ficava sempre parada no ponto de táxi da Rodoferroviária de Curitiba. Por volta da 0h30 de ontem, ela teria partido para sua última viagem. ''Eu estava quatro táxis atrás do dela. Vi o momento em que os dois passageiros entraram no táxi. Eles estavam indo para o Hotel Tibagi. Estavam bem vestidos. Não desconfiei de nada'', afirmou Vanderlei Bernardes, 30, taxista há cinco anos.

De acordo com o relato dado por Bernardes, um dos passageiros que entrou no táxi era mais velho (com cerca de 45 anos) e o outro era um rapaz de barba (com aproximadamente 21 anos). O corpo da taxista foi encontrado dentro do carro, de placa AII-8294, com um tiro na cabeça. Como o corpo estava caído no banco do passageiro, a suspeita é a de que o tiro tenha sido disparado pela pessoa que estava no banco traseiro.

O taxista Paulo Rocha, 51, taxista há 26 anos, justificou o protesto com uma ação de cidadania. Ele afirmou que são registrados semanalmente entre 7 e 9 assaltos e nenhum atitude é tomada pelas autoridades estaduais. ''Só vão começar a nos dar atenção quando nós pegarmos um assaltante deste e acontecer o pior'', declarou. Luiz Camargo, 48, também faz ponto na Rodoferroviária de Curitiba. Ele disse que ficou indignado com o que aconteceu porque os taxistas são obrigados a aceitar os passageiros pela Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs). ''Se a gente não carregar, a Urbs multa. Se carregar, não sabe se volta no final da corrida'', protestou. As multas são de R$ 18,00.

Hélio da Silva, 48, contou que um amigo seu também taxista foi assaltado no sábado à noite e levou um tiro no queixo. Ele está internado no Hospital Universitário Evangélico (HUE). ''A situação do taxista está cada vez pior. Não sabemos o que fazer. Queremos maior proteção'', salientou. Eduardo Alegre, 29, foi assaltado há três semanas e não registrou queixa por causa do descaso da Polícia Civil. ''Não quiseram me atender no domingo. Não tinha escrivão na segunda. Desisti'', relatou.

O irmão de Erondines, José Vicente Monteiro, 34, estava bastante abatido. Ele agradeceu o apoio dos taxistas e contou que a irmã era uma pessoa calma e nunca havia sido assaltada. Ela morou oito anos em São Paulo e estava em Curitiba há quatro. Atualmente, ela morava sozinha na Vila Sandra, periferia da cidade.

A também taxista Ivone Gasperi, 44, estava revoltada com o assassinato da colega. ''A gente vive apavorada. Quando um passageiro entra no carro, a gente começa a sentir ânsia. Mas temos que trabalhar, temos família para sustentar'', argumentou. Claudete Bassani, 35, taxista há quatro anos, disse que já foi assaltada mas teve medo de denunciar. ''A gente só registra violência em toda a parte. A gente tem medo de denunciar. Quando fui assaltada fiquei quieta. E se o bandido volta para nos matar?'', questionou ela.

A delegacia de Almirante Tamandaré registrou o caso e recolheu o táxi ontem para a realização da perícia técnica. A polícia ainda não sabe se os autores do assassinato foram os dois passageiros recolhidos na Rodoferroviária de Curitiba ou outros, ainda não identificados. Existe a hipótese de que a taxista possa ter deixado os passageiros no hotel e pego outra corrida até Almirante Tamandaré.

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