Assassinato de padre comove Matinhos
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terça-feira, 04 de junho de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Religioso foi morto com um tiro na noite de segunda-feira. Carismático, surfista e criador de uma grife própria de roupas e vinhos, o padre Joaquim Braz conquistou milhares de fiéis
Matinhos - A Polícia Civil prendeu no final da tarde de ontem Cleverson Rosa Amorim, 22 anos. Ele teria confessado o assassinato do padre Joaquim Raimundo Braz, 42 anos, em Matinhos, na noite de segunda-feira. Cleverson foi preso no balneário Riviera e por segurança foi transferido para o 2º Distrito em Curitiba. Ele mostrou a polícia onde tinha escondido a arma do crime, no próprio balneário onde foi encontrado e preso em flagrante.
Ontem, o município de Matinhos parou para velar o corpo do padre Joaquim. Durante todo o dia, milhares de pessoas passaram pela Igreja São Pedro, onde o corpo foi velado até as 6 horas da manhã de hoje, para se despedir do padre que mudou a história da igreja no município. Carismático, surfista e criador de uma grife própria de roupas e vinhos, o padre conquistou milhares de fiéis.
O assassinato do padre aconteceu por volta das 21h30 de segunda-feira na casa paroquial. Depois de encerrar sua participação em uma reunião para planejar a festa do padroeiro da cidade, padre Joaquim deixou o grupo de aproximadamente 20 pessoas no salão paroquial e saiu pelas portas do fundo. Um corredor liga o salão à casa paroquial e foi neste local que o padre foi abordado pelo assaltante.
A polícia acredita que o padre reagiu ao assalto e por isso foi baleado. Uma única bala de um revólver calibre 38 entrou no corpo do religioso pelo seu braço esquerdo, perfurou o pulmão, o coração e se alojou no rim direito, sem deixar chances de reação ao organismo do padre.
Nós ouvimos o barulho, mas achamos que era uma bombinha porque do lado do salão paroquial tem um colégio, conta o presidente do conselho de assuntos econômicos da paróquia, João Trombeta, que estava no salão paroquial na hora do crime. Ficamos em silêncio tentando entender o que acontecia, até que ouvimos o padre dizendo é assalto, estou atirado. Nisso arrombamos a porta que ele tinha trancado ao sair e tentamos socorrê-lo, mas quando ele chegou no hospital já estava morto, conta Trombeta.
O delegado Edu da Silva Furtado Filho, que investiga o caso, acredita que tenha sido latrocínio. Se fosse vingança ou queima de arquivo, o tiro teria sido frontal ou na cabeça. Pelas circunstâncias é possível que a arma tenha disparado no momento em que o padre reagiu, considera. No local onde o padre foi abordado foi encontrado um capuz preto que provavelmente o padre arrancou de seu agressor.
Enquanto a polícia ouvia as pessoas que estavam com o padre minutos antes do crime, o povo cantava e rezava. É um pedaço nosso que foi embora, dizia a paroquiana Lurdes Morona, 57 anos. Esperamos que esse crime não fique impune, dizia outra moradora do município, Sônia Bueno.
Com seu jeito alegre, o padre Joaquim mudou a história da igreja no município de Matinhos. Ele conseguiu recuperar para a igreja a primeira capela do município. Dedicada ao padroeiro São Pedro, a capela foi totalmente restaurada graças a campanhas feitas pelo padre Joaquim. Foi ele também que conseguiu cativar não só os moradores de Matinhos como de outros municípios do Litoral. Na temporada, o padre conseguia reunir mais de 2 mil pessoas nas suas missas. Eram veranistas de todas as partes do Paraná que não perdiam a missa dele enquanto estavam no Litoral, conta o padre Adão Pawlak, que auxiliava Joaquim nos trabalhos da paróquia.


