Quem mandou matar Amanda Rossi? A dúvida que persiste nos últimos oito anos atormenta diariamente o autônomo Luiz Rossi, pai da estudante encontrada morta dentro do campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar), no Jardim Piza, zona sul de Londrina. Aos 22 anos, Amanda cursava o 2º ano de Educação Física e participava de um festival de dança no ginásio da instituição de ensino quando foi vista pela última vez, na noite de 27 de outubro de 2007. No dia seguinte, parentes e amigos deram início às buscas. O corpo da estudante foi encontrado na manhã de segunda-feira, dia 29, dentro da casa de máquinas da piscina da universidade. Havia sinais de estrangulamento.
Desde então, Luiz Rossi busca respostas. Três réus foram condenados pela execução do homicídio. "Acredito no envolvimento dessas pessoas, mas o crime ainda não foi elucidado como um todo", afirma. Nos últimos oito anos, o pai de Amanda sofreu dois episódios de AVC [Acidente Vascular Cerebral], a filha mais nova passou por acompanhamento psicológico e a esposa enfrentou a dor calada, com a ajuda de medicamentos.
Câmeras de segurança não flagraram a ação dos criminosos. Dois meses após o homicídio, um jovem de 19 anos preso no interior de São Paulo assumiu a autoria do assassinato. No entanto, a falsa confissão foi descoberta meses depois. A Polícia Civil concluiu que provas haviam sido forjadas pelo próprio rapaz, que foi liberado e indiciado por autoacusação falsa.
No ano seguinte, Dayane de Azevedo, de 27 anos, Alan Aparecido Henrique, de 29, e Luiz Vieira da Rocha, de 35, foram presos acusados de participação no crime. A finalização do inquérito policial com mais de 3 mil páginas foi anunciada na presença do então secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Em 2011, Dayane, até então considerada ré confessa, alterou o depoimento durante julgamento no Tribunal do Júri. Ela negou participação e disse ter confessado o crime após tortura. Mas foi condenada a 23 anos de prisão. Alan Aparecido Henrique recebeu pena de 21 anos. Um ano depois, Luiz Vieira da Rocha também foi considerado culpado no Tribunal do Júri e condenado a 19 anos de reclusão.
Dias após o julgamento do último acusado, a Polícia Civil anunciou a conclusão de um novo inquérito que apontou Denise Madureira, professora do curso de Educação Física da Unopar, como mandante do crime. O nome dela teria sido usado por Dayane para atrair a estudante até o local do assassinato. O inquérito concluído em 2012 foi encaminhado à promotoria. Porém, a suposta mandante não foi denunciada pelo Ministério Público.
Procurado pela reportagem, o delegado Paulo Henrique Costa, responsável pela Delegacia de Homicídios e pela conclusão do inquérito, se recusou a dar entrevista sobre o caso. A promotora Caroline Esteves preferiu não emitir opinião em relação às conclusões encaminhadas pela Polícia Civil. Na última semana, ela repassou o inquérito à Promotoria da 1ª Vara Criminal de Londrina, hoje sob responsabilidade do promotor substituto Tadeu Augimeri de Goes Lima. O promotor Rodney André Cessel, que deve assumir o cargo, está licenciado e retorna ao trabalho em novembro. A assessoria da 1ª Vara Criminal informou apenas que o caso está sob segredo de Justiça. O advogado da professora Denise Madureira, Luciano Niero, não quis se manifestar. E a professora não foi localizada pela reportagem.
Na esfera cível, a família de Amanda e a Unopar formalizaram um acordo. A advogada da família de Amanda, Helen Katia Cassiano, preferiu não revelar o valor da indenização concedida em razão dos danos morais e materiais causados. Já sobre a demora no andamento do inquérito que aponta a suposta mandante do crime, ela apenas lamentou o fato. "O processo está seguindo o curso burocrático da nossa Justiça, que é muito lenta. São muitos crimes todos os dias. Com a burocracia, cai no esquecimento, infelizmente."
Em meio ao mistério, aos diversos boatos e às inúmeras versões sobre os fatos, Luiz Rossi segue a vida com simplicidade, trabalhando na venda de jornais e cada vez mais envolvido nas ações da igreja que frequenta. Mais do que saber quem mandou matar a estudante, o pai da Amanda Rossi quer explicações sobre o que teria motivado o crime. "Por que isso foi acontecer? Eu só quero que isso termine logo... Até hoje, ela passa uma coisa tão boa para mim que quando eu estou ruim, penso nela e já me recupero", lembra.

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