Assassinato cometido há dois anos está sem punição. E inquérito sumiu
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sábado, 25 de janeiro de 1997
Lúcio Horta 
Dorico da SilvaIndignaçãoCleide de Souza, irmã do rapaz morto em 1995: Uma pessoa não pode tirar a vida de outra e ficar assim. Eu quero justiça
A família de Claudinei da Silva Souza, morto em 1º de maio de 1995, aos 21 anos de idade, com dois tiros (um no cotovelo e outro na cabeça), está reclamando que o acusado do assassinato, o office boy Joel da Silva Ribeiro, continua livre nas ruas de Londrina e ninguém sabe nada do inquérito. O crime aconteceu no parque Ouro Branco (zona sul) e o motivo, apontado na época, teria sido ciúme.
A irmã da vítima, Cleide Aparecida de Souza, disse que foi ao Fórum de Londrina nesta semana, acompanhada do advogado, para saber do andamento do processo. Mas não encontrou nenhum registro do crime. Queria saber como estava o inquérito, se vai ter julgamento, mas não consta nada no nome do assassino. E eu quero justiça, porque uma pessoa não pode tirar a vida de outra e ficar assim.
A Folha apurou que na 1ª Vara Criminal de Londrina não existe registro tanto no nome da vítima, Claudinei da Silva Souza, quanto no nome do indiciado, Joel da Silva Ribeiro. Isso contraria a legislação: o prazo para conclusão da investigação policial, ou inquérito, é de 30 dias, para depois dar entrada no Fórum. Quando esse período é insuficiente, o Fórum tem que ser comunicado - inclusive para conhecimento do próprio promotor -, e um novo prazo é solicitado.
Esse procedimento é feito de 30 em 30 dias, até que a fase de investigação, feita pelo delegado responsável, esteja concluída. Ou seja: o inquérito que apura a morte de Claudinei deveria estar registrado na 1ª Vara Criminal, concluído ou não, já que se trata de homicídio, ocorrido há quase dois anos.
Além de não constar no Fórum, o inquérito sumiu misteriosamente do 4º Distrito Policial de Londrina, para onde o caso foi levado na época. O atual escrivão (ele não quis que seu nome fosse publicado), disse que procurou nos arquivos do DP mas não encontrou nada. Dei uma olhada aqui mas não achei. Mas a gente tem mais de 40 processos em andamento e os processos andam de acordo com o serviço. Vou ter que procurar direito e só respondo segunda-feira.
O próprio delegado José Carlos Bassalobre, que presidiu o inquérito na época, estranhou o desaparecimento. Ele garante que o inquérito foi aberto, testemunhas e indiciados foram ouvidos e o caso já deveria estar no Fórum. Mas não me recordo se o inquérito foi concluído ou não.
Ontem mesmo o delegado pediu ao escrivão Stênio Homem, que trabalhou também no caso em 95, para ir ao 4º Distrito saber o que estava acontecendo. Até o final da tarde de ontem, nenhuma resposta definitiva.
A irmã de Claudinei, Cleide de Souza, afirmou que a partir de agora vai acompanhar atentamente o caso até que ele seja solucionado. Ela acrescentou que, no ano passado, sofreu até ameaça de morte depois que tentou denunciar na imprensa que o indiciado continuava solto. As ameaças teriam sido feitas pela família do indiciado. Na última vez que fui ao 4º DP, falar das ameaças, fui bastante humilhada e disseram que meu irmão não prestava.
Enquanto o inquérito não reaparece, a família da vítima não se conforma com a impunidade. A mãe de Claudinei, Júlia Ferreira da Silva, comenta:
- Já se passaram dois anos. Fico revoltada porque teve muito crime que aconteceu depois e já foi solucionado. E o do meu filho ninguém fala nada.


